A onda de choque correspondeu à escala do golpe de força liderado pelos EUA na Venezuela na manhã de sábado, 3 de janeiro. A intervenção militar americana e a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro ameaçaram fraturar ainda mais uma ordem internacional já em ruínas.
Os Estados Unidos desprezaram as normas internacionais e desconsideraram a soberania de um Estado-nação para derrubar à força um regime que consideram inimigo. A operação lançada por Donald Trump contra Maduro – procurada pelas autoridades dos EUA sob acusações de “narcoterrorismo” – corre o risco de aprofundar a divisão entre o Norte e o Sul globais, uma divisão já ampliada pela guerra na Ucrânia, quase quatro anos após a invasão em grande escala da Rússia, e pelo conflito em Gaza, lançado por Israel após os ataques de 7 de Outubro de 2023.
As reações surgiram durante todo o sábado. O presidente brasileiro Lula condenou “um sério ataque à soberania da Venezuela”. “Os bombardeamentos em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam os limites do que é aceitável”, disse, instando as Nações Unidas “a responderem vigorosamente” à interferência. O México também condenou a operação liderada pelos EUA, que lembra o apogeu do intervencionismo dos EUA na América Latina sob a Doutrina Monroe. Concebida em 1823 pelo Presidente James Monroe para acabar com o colonialismo europeu nas Américas em troca da não interferência americana na Europa, a política evoluiu mais tarde para uma justificação para intervenções militares dos EUA em toda a América Latina.
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Fonte: Le Monde













