Na noite de domingo, 14 de dezembro, enquanto a televisão anunciava a vitória de José Antonio Kast, o candidato de extrema direita nas eleições presidenciais chilenas, Isarela (seu nome foi alterado a seu pedido), de 51 anos, viu o marido desmoronar. “Teremos que fazer as malas novamente”, disse ele. O casal é originário do Peru, mas mora no Chile há 11 anos, em Antofagasta, cidade de 400 mil habitantes localizada 1.300 quilômetros ao norte de Santiago, a capital. Aqui, 19,3% da população da cidade nasceu no exterior.
A autorização de residência temporária de Isarela expirou em 2019. Ela solicitou prorrogações, sem sucesso. “Dizem-me que tenho de esperar, mas quando Kast tomar posse, dentro de três meses, serei preso e deportado?” ela disse ansiosamente. O marido, por sua vez, não possui nenhum documento. “Ele cumpriu pena na prisão no Peru. Cumpriu a pena, mas eles não se importam”, disse ela.
Kast fez da repressão à imigração ilegal o ponto focal de sua campanha. “Se você não sair voluntariamente, nós o deportaremos apenas com o que você tem nas costas, e você nunca mais poderá voltar ao Chile”, disse ele em seus vídeos de campanha, usando uma retórica ao estilo de Donald Trump para destacar os estimados 336 mil migrantes indocumentados do país.
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Fonte: Le Monde













