guerra no Oriente Médio vai encarecer todo o transporte marítimo

A escalada de tensões no Oriente Médio, especialmente no Estreito de Ormuz, reacendeu o alerta sobre o comércio marítimo global. No curto prazo, o impacto já aparece no aumento do frete e dos seguros contra riscos de guerra. Mas, no horizonte mais longo, o efeito pode ser ainda mais amplo, com o encarecimento estrutural da operação dos navios.

Segundo relatório da consultoria marítima Drewry, a alta do petróleo, comum em cenários de instabilidade geopolítica, tende a pressionar diversos custos da navegação, ainda que de forma gradual.

Leia também: EUA já lançaram contra o Irã mais mísseis Tomahawk do que na guerra contra o Iraque

Muito além do combustível

O impacto não se limita ao combustível marítimo. Isso porque boa parte dos insumos usados na operação dos próprios navios depende direta ou indiretamente do petróleo.

Entre os principais pontos de pressão estão:

– Lubrificantes
Equipamentos essenciais das embarcações utilizam lubrificantes derivados do petróleo. Com a alta do barril, esses insumos também tendem a encarecer, elevando os custos técnicos das operações como um todo.

Continua depois da publicidade

– Impacto nas lojas
Produtos como tintas, itens de limpeza e outros materiais utilizados no dia a dia das pessoas e das embarcações têm base petroquímica. O aumento do petróleo encarece tanto a produção quanto o transporte desses itens.

– Peças e componentes
A cadeia de produção de peças envolve desde aço até processos industriais intensivos em energia. Com petróleo mais caro, o custo de reposição de equipamentos e manutenção também tende a subir.

Apesar da pressão, o aumento de custos não ocorre de forma instantânea. Segundo a Drewry, armadores costumam operar com estoques e contratos de longo prazo, o que cria uma defasagem entre a alta do petróleo e o repasse para os custos operacionais. Ainda assim, o efeito acaba chegando, e de forma acumulada.

Manutenção mais cara

Outro ponto crítico é a docagem, processo periódico de manutenção pesada dos navios, realizado em estaleiros. Esse tipo de serviço depende intensamente de energia e insumos industriais, como aço e soldagem. Com isso, a alta do petróleo pode encarecer significativamente essas operações de manutenção ao longo do tempo.

Além disso, há um risco logístico, porque com o aumento das tensões no Golfo, estaleiros da região podem ter acesso limitado ou operar com restrições de segurança. Na prática, isso pode forçar armadores a buscar manutenção em outros polos, como Ásia e Europa,  elevando custos e ampliando prazos de espera.

Leia Mais: Aeroporto do Kwait sofre danos “significativos” em sistemas por ataques do Irã

Continua depois da publicidade

Duração do conflito

O impacto final sobre o setor marítimo vai depender, sobretudo, da duração e intensidade das tensões no Oriente Médio. No curto prazo, o efeito mais visível está no aumento dos seguros e ajustes operacionais. Já no médio e longo prazo, um petróleo persistentemente caro tende a contaminar toda a estrutura de custos da navegação. Para a Drewry, acompanhar a relação entre preços de energia e custos operacionais será cada vez mais crucial em um cenário global marcado por incertezas geopolíticas.

Fonte: Info Money

Compartilhe este artigo