Não é raro que grandes empresas envolvidas em negócios bilionários imponham condições a seus bancos e escritórios de advocacia.
Desta vez, porém, Elon Musk fez uma exigência especialmente ousada aos assessores de Wall Street antes da oferta pública inicial (IPO) da SpaceX.
Segundo quatro pessoas a par do assunto, que falaram sob condição de anonimato por se tratar de negociações confidenciais, Musk determinou que bancos, bancas de advocacia, auditorias e outros consultores envolvidos no IPO comprem assinaturas do Grok, seu chatbot de inteligência artificial ligado à SpaceX.
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De acordo com três dessas pessoas, alguns bancos aceitaram gastar dezenas de milhões de dólares na ferramenta e já começaram a integrar o Grok aos seus sistemas internos de TI.
Musk e um porta-voz da SpaceX não responderam aos pedidos de comentário.
Em praticamente qualquer grande IPO, bancos costumam buscar maneiras de agradar a empresa que está abrindo capital — e, claro, seu CEO. Depois de alguns anos com poucas ofertas relevantes chegando ao mercado, porém, Wall Street vinha praticamente “babando” por um negócio do porte da SpaceX, que é apontado como um dos maiores da história.
A expectativa é que a operação levante mais de US$ 50 bilhões, com a companhia avaliada acima de US$ 1 trilhão. Nessa escala, os bancos podem faturar mais de US$ 500 milhões em taxas de assessoria.
A capacidade de Musk de garantir contratos para seu chatbot de IA junto aos bancos também mostra o tamanho da influência do homem mais rico do mundo sobre um setor financeiro ansioso para manter relacionamento com ele agora e no longo prazo.
Segundo três fontes, a compra de assinaturas do Grok pelos bancos está longe de ser apenas gesto de cortesia. Musk insistiu para que eles contratassem os serviços do chatbot. Ele também pediu que os bancos anunciassem na X, sua rede social — que também está sob o guarda-chuva da SpaceX —, mas foi bem menos firme nesse ponto, de acordo com duas dessas pessoas.
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Por enquanto, cinco bancos devem participar da oferta: Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Morgan Stanley. Os escritórios de advocacia Gibson Dunn e Davis Polk também estão assessorando a transação.
O acordo de Musk com os bancos é uma bela vitória para a SpaceX, que se fundiu com a xAI em fevereiro. O Grok, porém, ainda corre por fora na disputa da inteligência artificial, bem atrás do ChatGPT, da OpenAI, do Claude e do Gemini, do Google.
Musk vem vendendo o Grok como um antídoto ao “politicamente correto” e diz que seu chatbot não seria “woke”, ao contrário dos rivais. Nos últimos meses, no entanto, o Grok se viu no centro de polêmicas após veicular conteúdo antissemita, elogios a Adolf Hitler e gerar imagens sexualizadas, sem consentimento, de mulheres e meninas. Países como Indonésia e Malásia já baniram o Grok, enquanto outros abriram investigações sobre a disseminação desse tipo de material.
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Apesar das controvérsias, Musk segue promovendo o chatbot e recorrentemente pede aos mais de 237 milhões de seguidores que tem na X que “testem o Grok”. Até o meio-dia de sexta-feira, em Nova York, ele já havia postado 18 vezes no dia sobre a ferramenta, que lançou uma nova versão do app na quinta-feira.
“Grok e xAI estão definitivamente melhorando mais rápido do que qualquer outra IA”, dizia uma mensagem na X que Musk compartilhou.
Hoje, o Grok fatura principalmente com usuários pessoa física, não com empresas. As assinaturas contratadas pelos bancos tendem a dar um impulso à frente corporativa do negócio de IA às vésperas do IPO da SpaceX.
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No último relatório financeiro apresentado a investidores antes da fusão com a SpaceX, a xAI reportou cerca de US$ 1 bilhão em receita com suas operações em inteligência artificial, segundo uma pessoa que teve acesso aos números. A empresa não detalhou quanto veio de clientes finais e quanto de clientes corporativos.
A Starlink — o serviço de internet via satélite da SpaceX — é a grande joia da coroa, gerando bilhões de dólares em fluxo de caixa livre, de acordo com uma pessoa que conhece as finanças da companhia. Documentos obtidos pelo The New York Times mostram que a Starlink registrou cerca de US$ 8 bilhões em receita em 2024.
Há meses, banqueiros circulam pelos escritórios da SpaceX na região de Los Angeles para ajudar a companhia a preparar o prospecto do IPO.
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Ainda não está definido qual banco — se é que haverá só um — vai liderar a operação, posto que costuma garantir mais prestígio e uma fatia maior nas taxas, segundo duas pessoas a par das negociações. A SpaceX, que protocolou confidencialmente nesta semana a papelada do IPO na Securities and Exchange Commission (SEC), deixou de fora do documento os nomes dos bancos envolvidos, disse uma dessas fontes.
c.2026 The New York Times Company
Fonte: Info Money













