Fazenda afirma que repasse é essencial para que “efeitos negativos” das tensões no Oriente Médio não sejam sentidos
O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta 5ª feira (12.mar.2026) que o governo federal se reuniu com representantes das distribuidoras de combustíveis no Brasil para pedir que os descontos anunciados como forma de conter o impacto da alta nos preços do petróleo sejam repassados e cheguem aos consumidores.
O temor é que a isenção total de R$ 0,64 por litro de etanol não seja percebida, na prática, pela população.
“Nós pedimos às distribuidoras que todo o ganho oferecido pelo governo, todo o impacto com a desoneração e a subvenção, seja imediatamente considerada e repassada aos postos de combustível para evitar que a população sinta os efeitos negativos da guerra”, afirmou em entrevista depois de reunião.
A isenção foi definida pelo decreto 12.875, que reduz R$ 0,32 por litro de diesel, com impacto de R$ 20 bilhões e da MP (medida provisória) 1.340 de 2025, que cria uma subvenção de mais R$ 0,32 por litro para produtores e importadores, com custo de R$ 10 bilhões para os pagadores de impostos.
O governo tenta reduzir o impacto da alta do petróleo por causa da guerra de EUA e Israel contra o Irã. A Fazenda estima que o impacto será de R$ 30 bilhões até 31 de dezembro de 2026. Se não houver o repasse, as medidas não terão impacto esperado.
O diesel é o combustível mais consumido no país e tem forte impacto sobre a economia. Ele abastece caminhões responsáveis pelo transporte de mercadorias e alimentos, além de parte do transporte público. Por isso, aumentos no preço do diesel costumam pressionar o custo do frete e podem influenciar a inflação.
PETROBRAS NÃO SOFRERÁ INTERVENÇÃO
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), voltou a afirmar que o governo não interferirá na política de preços da Petrobras e respeita a independência da estatal.
“Não iremos fazer nenhuma intervenção numa empresa de capital aberto como a Petrobras. O governo tem participação majoritária nos conselhos, mas o plano de investimento e a gestão são respeitados. Os diretores da companhia são extremamente competentes para decidir sobre a política de preços”, disse durante entrevista.
O preço do petróleo brent, referência para o mercado global, flutuava na média de US$ 100 nesta 5ª feira (12.mar). Segundo a Reuters, o barril pode atingir US$ 200 em caso de bloqueio ou ameaça de minas no Estreito de Ormuz.
Os preços do petróleo no mercado externo costumam impactar o valor dos combustíveis no Brasil. A Petrobras considera, entre outros fatores, as cotações internacionais do petróleo e a taxa de câmbio para definir os preços de venda de gasolina e diesel às distribuidoras.
A política de preços da estatal é um tema sensível para o governo federal porque os combustíveis têm peso relevante na inflação e, como consequência, na avaliação do governo.
Eventuais reajustes podem influenciar indicadores como o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), utilizado como referência para a meta de inflação do país.
O governo do presidente Lula tem defendido que a empresa mantenha autonomia para definir sua política comercial. A União é a acionista controladora da Petrobras e possui maioria no conselho de administração da companhia.
Fonte: Poder 360












