Fechamento do Estreito de Ormuz pode afetar até o agro brasileiro – entenda

“O Estreito de Ormuz está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha vão incendiar esses navios”, disse Ebrahim Jabari, assessor do comandante em chefe da Guarda, em declarações reproduzidas pela mídia estatal iraniana.

O corredor marítimo por onde passa 20% do petróleo global está fechado, na prática, desde o fim de semana, quando mísseis iranianos atingiram petroleiros e o tráfego cessou. Este comunicado da Guarda Revolucionária, feito na tarde da segunda, oficializa o bloqueio.

Mas não é “só” um quinto do petróleo que passa por ali. Entra também um terço do suprimento global de ureia – um dos fertilizantes mais usados. O Brasil, por exemplo, importa 93% de seus fertilizantes. E a ureia representa 17% disso. Ela é comum em culturas de milho, cana e café.

Ou seja: a alta do petróleo é positiva, em parte, para o Brasil, já que somos exportadores líquidos – Prio, Petrobras e PetroRecôncavo tiveram uma ótima segunda-feira na bolsa, com altas de até 5%, 4% e 3%, respectivamente. Mas para o agro a história é outra. Quanto mais tempo o estreito ficar fechado, mais caro ficará um fertilizante fundamental.

Sobre o petróleo. Analistas da Bloomberg Economics estimam que, com o estreito fechado, o petróleo possa chegar a US$ 108. Nesta segunda (10), o barril disparou 6,68%, a US$ 77,74. Caso a escalada se mantenha, a ameaça é de um salto na inflação global.

O Banco Mundial estima que altas de 10% no petróleo aumentam a inflação em 0,35% ao ano. Não é pouco. Mais ainda num contexto em que a alta do barril pode chegar a 40% – na comparação entre o pré-guerra e a previsão dos analistas da Bloomberg.

Bom para quem vende petróleo – e não precisa cruzar o estreito, como nós. Ruim para quem vende basicamente qualquer outra coisa.

Fonte: Invest News

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