Este bilionário está ajudando 800 mil pessoas a conseguirem ensino superior gratuito

Steve Klinsky passou 25 anos construindo a New Mountain Capital como uma das firmas de private equity mais respeitadas, com US$ 60 bilhões em ativos sob gestão distribuídos em centenas de empresas do portfólio. Seu histórico de investimentos fala por si: uma empresa de software de cadeia de suprimentos que comprou por US$ 600 milhões foi vendida por mais de US$ 8 bilhões. Uma empresa de ciências da vida que apoiou abriu capital com ganho de US$ 3 bilhões. A firma costuma dizer que nunca teve uma empresa do portfólio que tenha ido à falência.

Mas pergunte a Klinsky sobre o que mais o entusiasma neste momento, e ele falará sobre um site. ModernStates.org — a plataforma online de sua Modern States Education Alliance — já alcançou discretamente 800 mil pessoas e concedeu o equivalente a 25 mil anos de créditos universitários gratuitos, tudo isso sem gastar um dólar em publicidade. E, segundo Klinsky, isso é apenas o começo.

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“Isso está só começando”, disse ele em uma entrevista recente ao podcast Great Investors, do Goldman Sachs, observando que tudo aconteceu sem gastar um único dólar em publicidade.

“Há US$ 1,7 trilhão em dívidas estudantis”, disse Klinsky, um filantropo de destaque, ao falar sobre o que o motiva. “É um número fora da realidade.”

A ideia é elegantemente simples

A Modern States não inventou nada de novo, explicou Klinsky a Alison Mass, presidente de Investment Banking, Global Banking and Markets do Goldman.

Ela se baseou em um programa pouco conhecido, mas com décadas de existência, chamado exames CLEP — testes do College-Level Examination Program administrados pelo College Board, a mesma organização responsável pelo SAT (prova de admissão em faculdades dos EUA).

Os exames cobrem dezenas de disciplinas, de álgebra universitária a literatura americana, e existem há 50 anos. Ao ser aprovado em um deles, a maioria das faculdades e universidades dos EUA concede o crédito — sem necessidade de pagar mensalidade.

O problema é que quase ninguém sabia disso, e menos pessoas ainda tinham condições de se preparar adequadamente.

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A solução de Klinsky: contratar o melhor professor em cada uma das 32 disciplinas, criar um curso online gratuito para cada uma e publicá-los no ModernStates.org. Os estudantes têm acesso a cursos gratuitos, materiais de leitura e exercícios práticos. Se forem aprovados, a Modern States ainda paga a taxa de US$ 100 do exame CLEP.

Os números impressionam. “Se você for um Abraham Lincoln, completamente sem recursos, mas ambicioso, pode conseguir um ano de faculdade dessa forma e economizar um ano de tempo e US$ 30 mil”, disse Klinsky.

Por que um bilionário está fazendo isso

Klinsky, cujo patrimônio líquido a Forbes estima em US$ 4,9 bilhões, não chegou à filantropia educacional por culpa ou aparência. Seu caminho até lá é pessoal.

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Crescendo em Detroit, seu irmão sete anos mais velho, Gary, o ajudava intensamente com os estudos depois da escola. “Isso teve um significado enorme na minha vida”, disse Klinsky.

Gary morreu de uma doença genética quando Klinsky ainda estava na pós-graduação em Harvard. E, em 1987, quando Klinsky se tornou sócio em sua primeira grande firma de private equity, a Forstmann Little, em Nova York, uma de suas primeiras iniciativas foi criar centros de atividades no contraturno escolar nos bairros mais violentos da região, batizados em homenagem a Gary. Eles ainda funcionam hoje.

Essa experiência prática em East New York — um bairro que, na época, tinha mais homicídios do que todo o estado de Nebraska — o convenceu de que o problema dos estudantes mais desfavorecidos dos Estados Unidos não eram as crianças. Era o sistema. “Quando eu visitava a escola”, disse ele, “as crianças eram fantásticas. Os professores eram fantásticos.”

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Depois vieram as escolas charter (instituições com dinheiro público, mas administradas por particulares). Em seguida, um foco mais profundo no ensino superior. Depois, a Modern States.

Redenção de um setor

A filantropia de Klinsky é mais difícil de ignorar quando se considera sua origem. Ele é, como ele próprio reconhece, um personagem de Barbarians at the Gate — o clássico livro de negócios que se tornou a principal crítica aos excessos do private equity nos anos 1980, narrando a agressiva aquisição de US$ 25 bilhões da RJR Nabisco (na época, a maior da história) e a era de negócios impulsionados por dívida e taxas elevadas que transformou Wall Street em vilã cultural para toda uma geração.

Ele estava lá. Viu tudo de perto. E passou os 40 anos seguintes construindo algo deliberadamente diferente.

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A New Mountain Capital foi fundada com uma rejeição explícita do modelo antigo — menos dívida, nenhuma engenharia financeira, foco apenas em setores não cíclicos e uma atenção constante em melhorar de fato as empresas adquiridas.

Klinsky defende publicamente esse modelo há anos, inclusive como presidente do American Investment Council, a entidade que representa todas as 5.000 firmas de private equity dos EUA, e em um artigo na Harvard Business Review no qual detalha como sua empresa fez uma companhia de software de cadeia de suprimentos sair de US$ 600 milhões para mais de US$ 8 bilhões em valor.

“O private equity deixou de ser uma forma de financiamento para se tornar uma forma de negócio”, disse ele a Mass no podcast do Goldman Sachs.

Sua iniciativa de ensino gratuito, nesse contexto, não é um desvio de sua identidade em Wall Street, mas mais uma expressão do que sempre fez: identificar algo que não funciona, arregaçar as mangas e construir algo melhor.

Apenas começando

Apesar de sua escala, a Modern States continua sendo um dos segredos mais bem guardados da filantropia. Klinsky atribui seu crescimento inteiramente ao boca a boca — 800 mil usuários chegaram até ela de forma orgânica, uma prova de sucesso para um modelo que ele acredita poder crescer muito mais.

Em um momento em que a dívida estudantil se tornou uma das principais angústias de uma geração, o timing do programa não poderia ser mais relevante. Mesmo com mensalidades menores em universidades com gestão pública — como a Purdue, em Indiana — o custo fica em torno de US$ 33 mil por ano, observou Klinsky.

A Modern States não resolverá sozinha a crise da dívida estudantil. Mas, para as 800 mil pessoas que já a utilizaram, pode ser a solução mais prática que alguém de fato conseguiu oferecer.

Para esta reportagem, jornalistas da Fortune utilizaram IA generativa como ferramenta de pesquisa. Um editor verificou a precisão das informações antes da publicação.

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Fonte: Info Money

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