O novo presidente executivo do Walmart, John Furner, começou no megavarejista como funcionário horista, repondo prateleiras. Agora, a maior empresa dos Estados Unidos em receita aposta nele para conduzir seu próximo capítulo.
O ex-CEO Doug McMillon anunciou sua aposentadoria em novembro, após uma década à frente da empresa número 1 da Fortune 500. Seu último dia foi 31 de janeiro. Quem assume seu lugar é Furner, depois de ter atuado como presidente e CEO da operação do Walmart nos Estados Unidos.
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Furner, de 51 anos, começou sua trajetória no Walmart em um centro de jardinagem na cidade-sede da companhia, Bentonville, no Arkansas, e agora terá a missão de liderar os 2,1 milhões de funcionários da empresa e as operações de quase 11 mil lojas em 19 países.
Após estudar gestão de marketing na Universidade do Arkansas, Furner ascendeu na hierarquia do Walmart, passando de gerente de loja a gerente distrital e comprador, depois atuando no lado corporativo como gerente-geral divisional e vice-presidente de suprimentos globais.
Ele também passou dois anos em Shenzhen, na China, trabalhando no Walmart China e comandando as áreas de merchandising e marketing.
Antes de assumir o comando do Walmart nos Estados Unidos, Furner foi CEO do Sam’s Club.
“John entende todas as dimensões do nosso negócio — do chão de loja à estratégia global. Ele já provou que consegue entregar resultados vivendo nossos valores”, afirmou Greg Penner, presidente do conselho de administração do Walmart, em comunicado.
Ao se despedir, McMillon também creditou a Furner parte do sucesso da companhia, dizendo que trabalha de perto com ele há 20 anos.
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“Ele ama esta empresa e seus colegas, entende profundamente o nosso negócio e tem as características certas para nos liderar rumo ao futuro. Ele é um comerciante, um operador, um inovador e um construtor”, disse McMillon em uma publicação no LinkedIn.
O investimento de Furner nos funcionários
Em parte por conta de suas origens humildes como funcionário de loja, Furner ajudou, durante seu período na liderança, a conduzir uma grande reformulação na forma como o Walmart remunera seus gerentes de loja. Para aumentar o moral e a retenção, a empresa passou a oferecer aos gerentes de melhor desempenho pacotes de remuneração entre US$ 420 mil e US$ 620 mil por ano.
O salário-base desses profissionais foi elevado para a faixa entre US$ 130 mil e US$ 160 mil — mais que o dobro do salário anual mediano de um trabalhador americano. O restante é composto por grandes concessões de ações e bônus anuais, que, segundo Furner, tinham o objetivo de “fazer os gerentes se sentirem donos”.
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A empresa também retomou um programa de bônus para funcionários de loja. Alguns empregados elegíveis podem ganhar até US$ 1.000 por ano com o programa, dependendo do tempo de casa, segundo a companhia.
Mesmo com a inteligência artificial ameaçando empregos em diversos setores, Furner afirmou que o número de funcionários do Walmart deverá permanecer estável nos próximos cinco anos, ainda que os trabalhadores se tornem mais produtivos. Os postos que desaparecerem serão substituídos por novas funções dentro da empresa, acrescentou.
“Estamos ampliando as carreiras das pessoas, e esses empregos pagam melhor. As taxas de rotatividade são muito baixas”, disse Furner durante a conferência Brainstorm Tech, em setembro, em Park City, Utah.
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Em parte por causa dessas mudanças, a empresa ficou entre as dez primeiras colocadas na lista Fortune de Melhores Grandes Empresas para Trabalhar no Varejo em 2024.
Por que o Walmart escolheu John Furner como CEO
Parte da filosofia de gestão de Furner pode ter sido influenciada por sua família e por experiências iniciais de vida. Quando criança, ao trabalhar na fazenda com o avô, Furner aprendeu o valor do trabalho duro.
“Aprendi com ele que os animais não tiram folga aos domingos, sábados ou quartas-feiras”, disse, segundo a Fox News. “Eles estão sempre de pé. Você acorda cedo de manhã. Vai percorrer a cerca para garantir que uma vaca não tenha forçado a passagem.”
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A abordagem prática do avô também se estendia à resolução de problemas. Quando precisava de algo, o avô de Furner — que, segundo ele, foi marcado pela Grande Depressão — preferia montar uma solução manualmente em vez de comprar algo pronto.
“Em um negócio, surgem tantas situações únicas para as quais não há uma resposta clara, mas, com sua equipe, seus recursos, a engenhosidade americana e a criatividade, provavelmente existe uma forma de resolver”, afirmou.
A inclinação de Furner para o trabalho árduo e a solução criativa de problemas foi útil em seus cargos mais recentes e de maior visibilidade como presidente e CEO do Sam’s Club e, depois, do Walmart nos Estados Unidos.
Durante sua passagem pelo comando do Sam’s Club, Furner liderou 11 trimestres consecutivos de crescimento e enfrentou a concorrente Costco, em parte ao tornar a empresa mais enxuta e fechar lojas.
Em seguida, quando a empresa foi atingida por um desafio sem precedentes com a pandemia de covid-19, Furner ajudou a fortalecer a cadeia de suprimentos e os centros de distribuição para responder ao momento.
Como contou a Matthew Shay, presidente e CEO da National Retail Federation, em 2020, o Walmart reformulou seu negócio, reduzindo a prioridade de centros ópticos e de serviços automotivos e investindo no segmento de alimentos para atender à demanda da chamada “fase de estocagem”, quando os consumidores correram para reforçar seus estoques de tudo, de papel higiênico a bens de consumo.
Depois, a empresa investiu fortemente em centros de distribuição, além de serviços de retirada e entrega, para se adaptar à era do trabalho remoto e ao disparo das compras online.
Como resultado, as vendas líquidas cresceram tanto em 2020 quanto em 2021, apesar das interrupções causadas pela pandemia. Só em 2021, as vendas líquidas do Walmart nos Estados Unidos aumentaram em impressionantes US$ 29 bilhões, superando com folga o crescimento do ano anterior, enquanto as operações de comércio eletrônico avançaram 79%.
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Fonte: Info Money











