Dólar na mínima em dois anos abre a melhor janela de investimento no exterior desde 2024

O dólar chegou à cotação mínima do ano nesta quarta-feira (8) ao encerrar em queda de 1,01%, aos R$ 5,1028. É também o menor patamar desde maio de 2024. Um sinal de trégua nas negociações entre Estados Unidos e Irã ajudou a puxar a moeda americana para baixo – e é exatamente aí que mora a oportunidade para investidores.

Quando o dólar cai para um patamar como o atual, abre uma janela de entrada. Para quem ainda não tem exposição à moeda americana, ou tem menos do que deveria, o recuo recente é um convite. Não necessariamente porque o dólar vai subir amanhã – ninguém sabe isso –, mas porque comprar uma proteção quando ela está mais barata faz parte de uma boa gestão de patrimônio.

Um parâmetro razoável, e amplamente usado por assessores, é manter cerca de 5% do portfólio em dólar. O percentual deve aumentar ou diminuir conforme o investidor tenha exposição a outras classes de ativos que oscilam de forma descorrelacionada entre si – como a bolsa de valores – para garantir uma boa diversificação.

Por que o dólar protege mesmo quando cai?

O real se valorizou quase 7% neste ano até abril. Parece ótimo. Mas essa força tem causas específicas e difíceis de dizer para onde vão em meio ao cenário geopolítico.

A primeira delas é um fluxo intenso de capital estrangeiro para ativos locais. Não só o mercado de câmbio vem capturando essa entrada de recursos, como a própria bolsa brasileira também vem se beneficiando por esse fenômeno (foram R$ 60,2 bilhões colocados nas ações só em três meses e meio de 2026).

É a chamada “rotação de portfólios”, com investidores globais saindo do mercado americano e migrando para emergentes.

Somado a isso, o diferencial de juros entre Brasil e EUA está em 11 pontos percentuais, o que torna o Brasil um destino atraente para o chamado carry trade (tomar dinheiro emprestado barato lá fora e aplicar aqui para ganhar com os juros altos).

O problema? Todo esse equilíbrio é tênue. Se o conflito no Oriente Médio escalar de novo – o que é sempre possível, diante das idas e vindas nas hostilidades entre EUA e Irã –, o petróleo disparar e a inflação global sair do controle, os bancos centrais podem voltar a subir juros. A partir daí, esse fluxo de capital que sustenta o real pode reverter rapidamente, mesmo que no curto prazo.

O dólar também é estruturalmente mais resiliente do que o real em cenários de estresse global. Historicamente, em momentos de crise, o dinheiro foge para ele, não o contrário. Ter uma parcela do portfólio em dólar significa estar menos exposto a essa vulnerabilidade.

A volatilidade cresceu. E isso importa

Desde o início do conflito entre EUA e Irã, em 28 de fevereiro, o câmbio ficou bem mais agitado. Em pouco mais de um mês, houve 10 pregões com oscilação superior a 1% entre o dólar e o real — e em 7 desses dias, a variação passou de 1,5%.

Para comparar: em fevereiro inteiro, antes da guerra, apenas uma sessão terminou com variação um pouco acima de 1%.

O aumento da volatilidade reflete justamente um ambiente de muitas incertezas. Nesse cenário, manter uma parcela do portfólio em moeda forte ajuda a proteger a carteira. Por isso, aproveitar as janelas se torna uma oportunidade aos investidores.

No médio e no longo prazos, seu portfólio vai agradecer.

O que vem pela frente

A trégua atual não é uma solução. EUA e Irã ainda estão longe de um acordo definitivo, e qualquer nova escalada pode mudar o cenário rapidamente.

Além disso, mesmo que a crise no Oriente Médio se dissipe, outra fonte de volatilidade já está no horizonte: as eleições brasileiras.

Em anos eleitorais, abril costuma ser o mês em que o noticiário dos candidatos começa a se refletir nos preços dos ativos, entre bolsa, câmbio e juros. Com o conflito externo monopolizando as atenções, esse efeito foi adiado, mas não cancelado.

Fonte: Invest News

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