Na longa história de intervenções directas e indirectas dos EUA na América Latina – os historiadores contaram pelo menos 70 – o actual presidente Donald Trump conseguiu algo sem precedentes. Pela primeira vez, os Estados Unidos lançaram um ataque militar contra um estado sul-americano, a Venezuela.
No passado, as invasões tinham como alvo a vizinhança imediata dos EUA: México, América Central e Caraíbas; a mais recente delas ocorreu no Panamá, em 1989, marcada pelo rapto do general no poder, Manuel Noriega. Algumas tropas também foram enviadas no século XIXo século para países mais distantes, principalmente para proteger os cidadãos dos EUA.
Desta vez, com o rapto, em 3 de janeiro, do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, “um limiar foi ultrapassado e as consequências são imprevisíveis”, disse Jorge Heine, antigo ministro e diplomata chileno, em Responsible Statecraft, uma publicação do Quincy Institute, um think tank com sede em Washington. Segundo ele, a justificação oficial da operação – de que a Venezuela exportava grandes quantidades de fentanil para os EUA – lembrava o pretexto das “armas de destruição maciça inexistentes” durante a invasão do Iraque em 2003.
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Fonte: Le Monde











