Demanda corporativa vai alavancar venda de pacotes para a Copa, diz CEO da BeFly

Bloomberg Línea — A Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, no México e no Canadá se aproxima de um momento decisivo: o sorteio das 48 seleções em 12 grupos na primeira fase da competição no dia 5 de dezembro em Washington DC.

A venda de ingressos, por sua vez, começa a ganhar tração com a iminência da segunda fase na próxima semana.

Para uma das maiores empresas de turismo do país, a BeFly, a projeção é transportar entre 3.000 e 4.000 passageiros para a Copa, que será realizada entre os dias 11 de junho e 19 de julho de 2026.

O CEO do grupo, Marcelo Cohen, disse à Bloomberg Línea que a maior parte dos passageiros viajará a convite de grandes empresas, em grupos de incentivo corporativo.

“É um dos grandes eventos que vamos operar em 2026”, afirmou.

A operação aproveitará a proximidade geográfica e a infraestrutura dos EUA, com “boa malha aérea e hotelaria”, o que facilita a logística.

A Copa acontece em um ano marcado por múltiplos feriados e eleições no Brasil, o que também tende a favorecer a demanda por viagens.

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A BeFly estruturou pacotes completos que incluem passagens, hospedagem e ingressos para os jogos, com foco no cliente corporativo, segundo o executivo.

A estratégia contempla também a tendência conhecida como bleisure, combinação de negócios (business) e lazer (leisure), o que permite que executivos façam reuniões a trabalho em cidades como Nova York, Miami, Dallas ou Chicago e depois assistam a um ou dois jogos do Mundial antes de retornar ao Brasil.

Resultado recorde

A BeFly deve encerrar 2025 com o melhor resultado da história da companhia, com um volume de vendas de R$ 12 bilhões, segundo o executivo.

O crescimento até setembro ficou em torno de 25% na comparação anual.

As receitas com take rate (comissão por venda) avançaram quase 30% no período, enquanto os custos recuaram cerca de 8%, segundo ele.

Em sua avaliação, os números consolidam a estratégia de aquisições iniciada durante a pandemia, quando a empresa estava capitalizada, enquanto concorrentes enfrentavam dificuldades.

Entre 2020 e 2022, a BeFly realizou mais de 30 aquisições.

O grupo analisou aproximadamente 250 empresas no período e selecionou companhias com credibilidade no mercado, anos de operação e nichos específicos de produto, afirmou Cohen.

Nenhuma das empresas do portfólio ficou estagnada em 2025, segundo ele. O menor crescimento registrado foi de 9% em uma das unidades, enquanto o maior atingiu 200%.

Verticais em expansão

A FTS (Flytour Travel Solution), consolidadora de passagens aéreas, responde por cerca de 40% do volume de vendas do grupo. A empresa comercializa para mais de 7.000 agências de viagem espalhadas pelo país.

Já a FBT (Flytour Business Travel), braço corporativo da BeFly, deve vender em torno de R$ 2,5 bilhões em 2025, representando 20% do total.

O modelo de negócios concentra entre 85% e 90% do volume em operações B2B, segundo Cohen. A maior parte dos clientes corporativos utiliza sistemas próprios integrados com a plataforma do grupo para realizar compras online.

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Segundo o CEO, o segmento B2C avançou do equivalente a menos de 5% da receita há dois anos para 10% a 15% atualmente, com a meta de chegar ao intervalo entre 25% e 30% no médio prazo.

Já a Queensberry, braço de alto luxo, deve registrar crescimento superior a 25% neste ano.

“O conceito de luxo hoje não é mais sobre o que se tem; é sobre o que se faz”, disse Cohen. Ou seja, o cliente deixa de priorizar bens materiais como bolsas e relógios para investir em experiências “diferenciadas” com cultura, wellness e gastronomia, explicou o executivo.

A Queensberry desenvolveu um portfólio de roteiros de slow travel, em que o turista visita dois países em vez de cinco ou seis no mesmo período.

Segundo o CEO, a proposta oferece imersão maior no destino, com foco em vivências locais além dos pontos turísticos tradicionais.

Já empresas menores do portfólio apresentam taxas de crescimento entre 50% e 200% em 2025.

Essas companhias operam com take rate superior ao das maiores, o que contribui para a rentabilidade consolidada, segundo o CEO.

Em outra frente, o segmento de entretenimento apresenta margens melhores que o corporativo.

A BeFly opera eventos esportivos e de música como Fórmula 1, NFL, MotoGP e The Town, além de torneios como Miami Open, Wimbledon e US Open.

O grupo mantém posições nas arenas de jogos de futebol e shows do Allianz Parque em São Paulo e no Befly Hall em Belo Horizonte.

Cohen disse que mantém investimentos pessoais em hotelaria e gastronomia integrados ao ecossistema da BeFly. Os restaurantes La Copa e Brasa, no Allianz Parque, funcionam como camarotes durante shows e jogos. A companhia opera um hotel em Guarulhos para atender viajantes corporativos.

Tecnologia e planos futuros

A BeFly mantém três projetos ativos de inteligência artificial para otimizar processos repetitivos, segundo o CEO.

A tecnologia permite que uma mesma equipe atenda volumes maiores de clientes, eliminando a necessidade de novas contratações.

O grupo lançou o Tourist Tech Hub para identificar startups de IA e outras tecnologias que possam reduzir custos ou aumentar a eficiência operacional.

A fusão entre a Belvitour e a Flytour completou quatro anos em outubro de 2025.

A Belvitour faturava R$ 400 milhões por ano e tinha 120 funcionários quando adquiriu a Flytour, que registrava R$ 4 bilhões em receita e contava com quase 3.000 colaboradores – justamente no contexto citado por Cohen: a Flytour carregava dívida expressiva e estava em recuperação extrajudicial.

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“A empresa de prestação de serviço sozinha não vale nada. Quem vale é o ativo dela. Nosso maior ativo são, em primeiro lugar, nossos colaboradores e nossos clientes”, disse o CEO ao refletir sobre a trajetória do grupo.

A BeFly se posiciona como a maior empresa de turismo B2B da América Latina e o maior emissor de passagens aéreas do Brasil.

A empresa avalia oportunidades de expansão para outros países da América Latina, mas mantém o foco no mercado brasileiro, segundo Cohen.

Atualmente o grupo concentra esforços em cortar custos, ampliar a rentabilidade e trabalhar a operação diária antes de avaliar eventuais captações no mercado.

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