Bloomberg Línea — A Dasa (DASA3) passou os últimos anos em um processo deliberado de simplificação do portfólio, buscando concentrar energia e capital no que sempre foi seu negócio principal: diagnósticos. A aposta da companhia é que menos complexidade gera mais resultado.
Agora, o grupo de saúde, dono de mais de 40 marcas de laboratórios, entre elas Lavoisier, Delboni, Pasteur, Alta Diagnósticos e Salomão Zoppi, se consolida como a maior plataforma de diagnósticos da América Latina.
A reestruturação levou a companhia a transferir hospitais para uma joint venture com a Amil, a Ímpar, e a vender operações na Argentina e no segmento corporativo.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO Rafael Lucchesi afirmou que reorganizar o negócio em torno de diagnósticos trouxe foco e velocidade.
“A qualidade dos ativos sempre esteve lá. O que mudou foi o nível de disciplina de gestão, que permitiu entregar resultados mais consistentes trimestre a trimestre”, disse ele (leia a entrevista completa abaixo). “Temos um potencial de geração de caixa fantástico.”
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O movimento gerou caixa e acelerou a redução da dívida. A relação entre dívida líquida e geração de caixa recuou de 4,08 vezes em 2024 para 2,67 vezes em 2025, sinalizando que o endividamento chegou ao menor patamar desde 2021 e abrindo espaço para a empresa crescer com mais fôlego.
A receita consolidada atingiu R$ 11,2 bilhões em 2025, com o segmento de diagnósticos crescendo 9,6% no mercado nacional, enquanto o resultado recorrente do negócio avançou 16,6% e o caixa livre saltou 75%.
São números que começam a traduzir em balanço a disciplina financeira construída ao longo da reestruturação.
Alta rendaAlta Diagnósticos, marca da Dasa voltada para o segmento premium, ao lado de Lavoisier, Delboni, Pasteur e Salomão Zoppi, compõe um portfólio de mais de 40 marcas presentes pelo país(Divulgação/Dasa)
O crescimento do volume em diagnósticos vem de múltiplas frentes (segmento ambulatorial, premium, atendimento domiciliar) e expansão do B2B em hospitais e laboratórios.
Na tecnologia, IA e digitalização já aparecem na margem: 41% dos agendamentos são feitos de forma 100% digital e a inteligência artificial está embarcada em equipamentos de imagem e na análise de resultados de exames.
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A percepção que se consolida entre analistas é a de uma virada qualitativa na condução da companhia. A ação da companhia acumula valorização de 60% em 12 meses.
Para analistas do Citi, a sequência de desinvestimentos, da operação na Argentina aos ativos hospitalares, como a venda do Hospital São Domingos no Maranhão anunciada em janeiro, não é uma série de transações isoladas, mas a execução de uma agenda com direção clara.
“Continuamos apoiando a abordagem reformulada da empresa para otimizar as operações, que pode continuar a se beneficiar de sua onda contínua de desinvestimentos”, afirmaram Leandro Bastos, Renan Prata e Luís Felipe Terzariol, em recente relatório.
Confira trechos da entrevista do CEO da Dasa, editada para fins de clareza e concisão.
O que a simplificação do portfólio revelou sobre o negócio?
A principal revelação foi o valor do foco. Com times dedicados exclusivamente à operação de diagnósticos, a empresa ganhou velocidade e qualidade de gestão de forma muito mais rápida do que se esperava. O que antes era diluído em uma estrutura complexa passou a ter endereço certo e responsabilidade clara.
Os números de 2025 mostram geração de caixa robusta mesmo com uma empresa menor. O que isso diz sobre a qualidade do que ficou?
A qualidade dos ativos sempre esteve lá. O que mudou foi o nível de disciplina de gestão, que permitiu entregar resultados mais consistentes trimestre a trimestre. Houve também melhora relevante no ciclo de caixa, com avanços em prazos de recebimento, estoques e pagamentos.
Como você descreve a Dasa que o mercado vai acompanhar daqui para frente?
É uma empresa líder no setor de saúde, centrada no cliente e com qualidade médica e técnica como valor central. Com um time dedicado a um projeto de longo prazo, atenta à inovação tecnológica, mas com governança clara sobre onde e em que velocidade aplicar essas inovações.
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O crescimento do volume em diagnósticos é sustentável?
O crescimento vem de múltiplas frentes simultâneas: posicionamento das marcas no segmento ambulatorial, investimento no segmento premium, atendimento domiciliar e expansão do B2B em hospitais e laboratórios com novas rotas logísticas e centros operacionais. Por ser multifatorial, a visão é de crescimento contínuo e consistente.
Tecnologia e IA já aparecem na margem ou ou ainda é cedo para colher?
Já aparecem. Hoje 41% dos agendamentos são 100% digitais, há IA embarcada na análise de resultados de exames e nos equipamentos de imagem, gerando mais produtividade. Para frente, os investimentos seguem em atendimento, realização de exames e back-office.
Com o balanço mais limpo, qual é a primeira prioridade de alocação de capital?
A prioridade é crescer com qualidade: modernizar o parque de equipamentos, melhorar os ambientes físicos para os clientes, expandir serviços onde há demanda e investir em tecnologia para ganhos de produtividade e melhor experiência do usuário.
O que a Rede Américas, a joint venture formada com a Amil para abrigar os ativos hospitalares da Dasa, precisa entregar para provar que a tese estava certa?
A Rede Américas está no caminho certo. Não participamos da gestão do dia a dia, mas acompanhamos os números e temos alta confiança no time de lá. A expectativa é que o mercado veja a evolução aparecer nos próximos trimestres.
A ambição da Dasa é entregar lucro em 2026?
Não vou trazer essa como nossa ambição. Primeiro a gente vai querer mostrar, depois a gente vai querer falar sobre ele.
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