CPFL propõe diferimento tarifário enquanto governa avalia conter alta da energia

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, ⁠2 Abr (Reuters) – Uma distribuidora de energia da CPFL propôs postergar parte ⁠do reajuste tarifário a que tem direito para 2026, enquanto o governo federal discute um eventual ‌empréstimo bilionário para as concessionárias com o objetivo de reduzir os aumentos previstos nas contas de luz dos consumidores neste ano.

A proposta da CPFL Paulista, que distribui energia para municípios do interior paulista como Campinas ‌e Ribeirão Preto, veio após uma consulta feita pela agência reguladora Aneel, que por sua vez foi instada pelo Ministério de Minas e Energia a avaliar a postergação de reajustes tarifários até que haja uma definição sobre o plano do governo para reduzi-los.

Segundo carta encaminhada à Aneel, a CPFL Paulista sugere um diferimento máximo de R$1,43 bilhão no cálculo de suas tarifas para 2026, valor que seria recuperado nos processos tarifários de 2027 a 2029. ⁠A ‌concessionária propôs ainda que seja aprovada uma alta tarifária média de 8%, no mínimo, aos consumidores para este ⁠ano.

A Aneel deve avaliar a alternativa apresentada pela concessionária na reunião de diretoria na próxima terça-feira, para quando estão pautados também os reajustes tarifários das distribuidoras da Energisa no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e da Equatorial no Amapá.

O governo federal está avaliando alternativas para mitigar os impactos dos reajustes tarifários para os consumidores, ‘buscando soluções que preservem o equilíbrio regulatório sem impor ônus excessivo à ​população’, relatou o secretário nacional de Energia Elétrica, João Daniel Cascalho, em ofício enviado à Aneel neste mês.

Os esforços do governo ocorrem em meio a uma previsão de que as tarifas de energia elétrica ​aumentem acima da inflação neste ano, como resultado da disparada de encargos pagos na conta de luz, e sem contabilizar ainda a provável alta de custos de geração em função da guerra do Irã. Pelos cálculos da Aneel, a alta tarifária será de 8%, em média, superando os índices inflacionários do IGP-M e IPCA, previstos em 3,1%.

Continua depois da publicidade

O Ministério de Minas e Energia ainda não comentou publicamente sobre as alternativas em estudo ‌para conter as tarifas, mas fontes apontam a possibilidade de um novo ​empréstimo bilionário às distribuidoras de energia, operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O crédito às concessionárias é um recurso que já foi utilizado algumas vezes pelo setor elétrico no passado, em situações extraordinárias como a pandemia da Covid-19. O empréstimo garante fluxo ⁠de caixa para as distribuidoras diante de ​reajustes tarifários menores, mas isso ​é cobrado posteriormente dos consumidores, a custos mais altos.

‘A questão está posta e está sendo analisada e discutida’, disse uma fonte com conhecimento ⁠do assunto, afirmando que existe ‘predisposição do BNDES em analisar e ​ver como pode participar’.

Mais reajustes

A CPFL Paulista foi a primeira entre as distribuidoras de energia a encaminhar uma proposta para diferimento tarifário em 2026. As empresas precisam dar essa anuência, já que a agência reguladora não pode alterar unilateralmente os ​reajustes, previstos nos contratos.

As concessionárias que tendem a ter aumentos tarifários maiores neste ano são as que atuam nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, já que, para as do Norte e ​Nordeste, há a perspectiva de destinação ⁠de um montante bilionário para reduzir as contas de luz.

Uma lei aprovada no ano passado permitiu que geradores hidrelétricos repactuassem parcelas vincendas do ⁠UBP — espécie de royalties pagos por hidrelétricas –, e que esse saldo fosse direcionado para alívio tarifário dos consumidores de energia nas regiões de influência da Sudam/Sudene.

Continua depois da publicidade

Até agora no ano, a Aneel aprovou altas tarifárias para consumidores do Estado do Rio de Janeiro, com aumentos médios da ordem de 8,6% para os clientes da Light e de 15,6% para os da Enel Rio.

(Por Letícia Fucuchima em São Paulo e Rodrigo Viga Gaier no Rio de Janeiro; edição de Marta ​Nogueira)

Fonte: Info Money

Compartilhe este artigo