A atual crise no Estreito de Ormuz abalou o comércio global e trouxe de volta um risco de quebra em cadeias de suprimentos não visto desde a pandemia da Covid-19. E também colocou em evidência quanto o transporte internacional de bens está vulnerável a interrupções devido à sua dependência de algumas vias navegáveis estreitas.
Os estreitos são corredores naturais de água que conectam dois mares ou oceanos maiores e se constituem em vias cruciais tanto para o comércio global como para transporte de pessoas, movimentos militares e até mesmo interação cultural. Nos mapas, parecem pequenos, mas possuem um valor econômico e geopolítico que vai além de suas dimensões.
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O InfoMoney fez uma lista com as vias navegáveis que são considerado pontos de estrangulamento comerciais.
Estreito de Ormuz
Esse é o estreito em maior evidência atualmente porque o Irã tem utilizado o fechamento da passagem como arma estratégica contra os Estados Unidos e seu aliados na região. Localizado entre o Irã e Omã, conecta o Golfo Pérsico ao Mar Arábico. Ele tem uma largura de 34 km em seu ponto mais estreito, mas isso consiste em dois canais navegáveis de cerca de 3,7 km para transporte de entrada e saída, além de uma zona de proteção de 2 milhas de largura.
Por essa faixa apertada passam normalmente algo em torno de 20 milhões de barris de petróleo por dia. Antes da guerra, cerca de 138 navios passavam pelo estreito todos os dias, segundo o Centro Conjunto de Informações Marítimas, transportando um quinto do suprimento global de petróleo e de gás natural liquefeito.
Por ali, também passam 30 milhões de toneladas de comércio de cargas secas por mês, o equivalente a mais de 7% da demanda global por transporte seco a granel.
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Estreito de Bab al-Mandeb

Localizada entre o Iêmen e Djibuti, o chamado “Portão das Lágrimas” é uma passagem marítima que conecta a Península Arábica ao nordeste da África, um caminho que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico utilizando o Golfo de Áden. O estreito possui um comprimento aproximado de 50 km e largura e de 26 km em sua parte mais estreita.
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O estreito serve como entrada sul para o Canal de Suez e cerca de 12% do comércio global de petróleo passa por ali diariamente. É nessa área que os rebeldes houthis do Iêmen costumam atacar embarcações. A prática foi reduzida após incursões americanas, mas o Irã tem prometido reabastecer os rebeldes com foguetes. Quando há interrupção na passagem, os cargueiros são obrigados a contornar a África, elevando os custos de transporte.
Canal de Suez

Inaugurado em 1869, o Canal de Suez é um atalho crucial para viagens entre a Ásia e a Europa, reduzindo as distâncias de contornar a África em quase 9.000 km. Localizado entre a Península do Sinai do restante do Egito, ele conecta o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho e, no seu ponto mais estreito, tem apenas 225 metros de largura.
Por seus 193 quilômetros de extensão, atrai cerca de 12% a 15% do comércio mundial e cerca de 30% do tráfego global de contêineres — com mais de US$ 1 trilhão em trânsito de mercadorias anualmente. Inclui cerca de 9% dos fluxos globais de petróleo marítimo (cerca de 9 milhões de barris por dia) e cerca de 8% dos volumes de gás natural liquefeito. Em média, até 60 navios passam pelo canal diariamente. A receita de pedágio é um importante salva-vidas econômico para o Egito, com mais US$ 9 bilhões anuais.
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Estreito de Malacca

O Estreito de Malacca é a rota marítima mais curta entre os oceanos Índico e Pacífico, facilitando o movimento anual de cerca de 82.000 embarcações. Calcula-se que mais de 40% do comércio global passa por esse canal, incluindo 80% das importações de petróleo bruto da China e grande parte do fornecimento de energia para Japão, Coreia do Sul e Taiwan.
Com uma largura de 2,8 km em seu ponto mais estreito, essa rota tem o apelido de “garganta da Rota da Seda marítima” e é considerado o segundo ponto de estrangulamento mais movimentado do mundo, depois do Canal da Mancha, porém bem mais estratégico em termos de segurança energética e eficiência da cadeia de suprimentos. As economias de Singapura, Malásia e Indonésia estão intrinsecamente ligadas à atividade desse estreito
Estreitos turcos

Os Estreitos do Bósforo e de Dardanelos, na Turquia, são a única ligação marítima entre o Mar Negro e o Mediterrâneo, conectando grande parte da Europa Oriental ao resto do mundo e facilitando o trânsito de petróleo e gás natural, vitais para os mercados globais de energia. O ponto mais estreito das passagens tem apenas 700 metros.
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A Convenção de Montreux de 1936 concedeu à Turquia a autoridade para regular o acesso naval ao Mar Negro via os estreitos — encerrando um ponto de discórdia recorrente que ajudou a causar quase uma dúzia de guerras com a Rússia nos séculos anteriores.
Com um trânsito anual de mais de 42 mil navios, os estreitos permitem o transporte de 3% do fornecimento global de petróleo e também são rota constante de GNL, grãos e produtos químicos.
Estreito Dinamarquês

O Estreito Dinamarquês separa a Dinamarca da Suécia e conecta o Mar Báltico ao Mar do Norte, tendo uma largura mínima de 3,7 km. Além disso, possui pontos onde a profundidade é de menos de 8 metros.
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Sua região mais profunda, chamada de Grande Cinturão, é considerada vital para o transporte de cargas pesadas, acomodando os maiores navios – 5 milhões de barris de petróleo passam por ali. Até 75 mil navios pesados trafegam pelas águas a cada ano. Essa área está inteiramente dentro da Dinamarca, entre as ilhas de Zelândia e Funen, dividindo efetivamente o país. O Pequeno Cinturão, mas raso, desempenha um papel crucial no transporte regional.
Além de ser a principal saída do petróleo russo dos portos bálticos para o mundo (antes da guerra da Ucrânia), o estreito Estreito Dinamarquês é uma ligação vital entre o Norte da Europa e os mercados globais.
Estreito de Taiwan

A passagem conhecida como Estreito de Taiwan separa a China continental da ilha de Taiwan, conectando o Mar do Sul da China ao Mar da China. Seu ponto mais estreito tem 130 km e ele é um canal que lida com mais 20% do comércio marítimo global em valores anuais.
Calcula-se que quase metade da frota global de contêineres e a maioria dos semicondutores avançados passam por esse ponto vital de estrangulamento. O think tank CSIS estimou que um total de US$ 2,45 trilhões em mercadorias — mais de um quinto do comércio marítimo global –passou pelo Estreito de Taiwan em 2022.
O estreito tem testemunhado um aumento da tensão entre Taiwan e China, marcada por confrontos militares e exercícios navais cada um dos lados. Estrategistas têm chamado a atenção dessa região crucial, que pode sofrer uma interrupção temporária caso os líderes chineses decidam abandonar a estratégia de “unificação pacífica” e buscar anexar Taiwan à força.
Canal do Panamá

O Canal do Panamá é uma via navegável altamente estratégica que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, estrategicamente vital para que os navios evitem a longa e perigosa rota ao redor do Cabo Horn, reduzindo drasticamente os tempos de navegação. Em seu ponto mais estreito, a largura não passa dos 222 metros.
A via navegável representa quase 6% do comércio marítimo global, atendendo 144 rotas marítimas utilizadas por mais de 150 países. Cerca de 14.000 navios passam pelo canal a cada ano, transportando mais de 500 milhões de toneladas de alimentos, minerais e produtos manufaturados. Cerca de US$ 270 bilhões em carga são movimentados anualmente.
Inaugurado em 1914, o canal possui um sistema de eclusas que eleva e abaixa navios entre os níveis do mar. É por onde passa 40% de todo o tráfego de contêineres dos EUA e serve como um elo da segurança energética, lidando com mais de 95% das exportações de gás liquefeito dos EUA destinadas à Ásia.
Estreito de Magalhães

O Estreito de Magalhães é o corredor marítimo natural mais ao sul do planeta, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico e que tem a soberania do Chile (Figura 1). Apresenta uma morfologia complexa que alterna gargalos com apenas 3,7 km de largura, canais com até 35 km de extensão e trechos sinuosos protegidos por arquipélagos subantárticos.
A profundidade varia de 28 metros em seus pontos mais rasos a 1.080 metros no Cabo Cooper Key. Assim, permite a passagem de embarcações com calado de até 70 pés (21,3 m) sem comprometer a manobrabilidade.
Foi descoberto pelo navegador português Fernando de Magalhães em 1520 durante sua famosa expedição para circunavegar o globo. Essa descoberta mudou a história da navegação, pois proporcionou uma rota mais segura do que a perigosa passagem ao redor do Cabo Horn.
Antes da abertura do Canal do Panamá em 1914, o Estreito de Magalhães era uma rota importante para os navios a vapor que transitavam entre os oceanos Atlântico e Pacífico. estima-se que cerca de 1.500 navios passem pelo Estreito todos os anos. Especialistas acreditam que a travessia continuará estratégica no futuro por conta da ampliação do comércio da China com os países da América do Sul.
Estreito de Gibraltar

Localizado entre a Espanha e o Marrocos, ligando o Oceano Atlântico ao Mar Mediterrâneo, o Estreito de Gibraltar é uma área com um dos tráfegos marítimos mais densos do mundo. Todos os anos, 100.000 embarcações transitam por suas águas, o que representa mais de 10% do tráfego internacional. Tem 60 quilômetros de comprimento e menos de 14 quilômetros de largura.
Como ponto de entrada ocidental para todo o transporte marítimo que se dirige ao Canal de Suez, o estreito tem um tráfego superior a 130 mil navios por ano, sendo 90.000 mercantes.
Fonte: Info Money












