Donald Trump exige escuridão. E silêncio. Em 21 de Maio, no Salão Oval, o presidente dos EUA mostrou ao seu público um vídeo que afirmava provar o “genocídio” dos agricultores brancos na África do Sul. Com os olhos fixos na tela, o público assistiu – em parte envergonhado, em parte cético – a imagens que supostamente mostravam evidências de uma vala comum: uma linha de cruzes brancas plantadas no chão. “Estes são cemitérios… mais de 1.000 (deles)”, disse o ocupante da Casa Branca. Na verdade, foi uma comemoração em homenagem a um casal, Glen e Vida Rafferty, que havia sido morto a tiros cinco anos antes perto de sua fazenda em KwaZulu-Natal. As cruzes foram colocadas ali para a cerimônia. No Salão Oval, o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa tentou intervir para esclarecer as coisas. Trump o ignorou e continuou sua apresentação.
Não importa a realidade. Trump tinha pouca consideração pelo governo de Pretória e menos ainda pelo Congresso Nacional Africano (ANC), o partido do presidente, que acusou de desperdiçar a ajuda americana sem responsabilização. O ANC, o partido do falecido Nelson Mandela (1918-2013), herói da luta anti-apartheid, condenava regularmente o que considerava a mentalidade predatória dos Estados Unidos.
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Fonte: Le Monde











