As coisas vão bem para o Ibovespa, obrigado. O principal índice da bolsa brasileira já soma 10 renovações históricas só neste ano. O último disparo veio na segunda-feira (9), quando bateu 186.241 pontos. Deixou o pobre do bitcoin (BTC), que anda meio cambaleante em 2026, no chinelo.
A sequência atual de altas começou ainda em janeiro, com novas máximas nos dias 14, 15, 20, 21, 22, 23, 27 e 28. Ufa. Neste mês, além de ontem, o índice também avançou no dia 3. Hoje, o indicador negocia na casa dos 185 mil pontos – 185.104,34, para ser exato.
“O Ibovespa renovou suas máximas históricas em 32 oportunidades (em 2025). Ou seja, em pouco mais de um mês, 2026 já concentrou praticamente um terço de todos os recordes registrados ao longo de 2025”, diz Einar Rivero, CEO da Elos Ayta.
Valem dois adendos.
Primeiro: o Ibovespa vem renovando o recorde nominal – isto é, apenas em números correntes. A máxima histórica real, ajustada pelo IPCA, ainda não foi superada. Ela remonta a 20 de maio de 2008, quando o índice atingiu 73.517 pontos. Corrigido pela inflação, esse patamar equivaleria hoje a cerca de 195,2 mil pontos. Em outras palavras, mesmo após a marca recente, o Ibovespa ainda está 5% abaixo do recorde real.
Segundo: o Ibovespa também tem uma pontuação em dólar, e essa está ainda mais longe do auge. Neste momento, são 35.872 pontos. Ainda faltam 25% para a máxima, de 44.638, também de maio de 2008.
O dinheiro gringo
Investidores estrangeiros têm buscado alternativas à bolsa americana. Ela dá sinais de estar cara – ou seja, o preço das ações subiu bem mais rápido que o lucro das empresas nos últimos anos. Nas bolsas emergentes, como a nossa, a história é outra: elas passaram os últimos anos em black friday.
Agora, os gringos vieram às compras por aqui.
Só em janeiro, eles despejaram R$ 26,31 bilhões na B3. Para ter ideia do tamanho do fluxo: é mais do que os R$ 25,47 bilhões acumulados ao longo de todo o ano passado. Em um mês, entrou mais dinheiro estrangeiro na bolsa brasileira do que em 12 meses de 2025.
Tem também um fator estrutural nessa histórica toda. A bolsa brasileira ainda é pequena no contexto global. O valor de mercado total gira em torno de US$ 730 bilhões. Parece muito, mas não é nada perto das gigantes americanas: a Nyse vale cerca de US$ 31 trilhões e a Nasdaq, outros US$ 30 trilhões. Na prática, isso significa que qualquer mudança de alocação lá fora – mesmo que marginal – já faz um belo estrago (positivo) por aqui.
Mais calma no radar?
No meio do rali, teve também um movimento do governo que ajuda a explicar por que a volatilidade anda mais comportada por aqui. O Tesouro Nacional voltou ao mercado internacional nesta semana e levantou US$ 4,5 bilhões com a emissão de um novo título em dólar, com vencimento em 2036, e a reabertura de um outro para 2056.
Na prática, quando o Brasil consegue se financiar lá fora com procura elevada e spreads relativamente controlados, o recado para o mercado é claro: o risco percebido do país não está saindo do trilho. Isso ajuda a ancorar expectativas, principalmente em momentos de barulho global. Menos prêmio de risco exigido pelos investidores em títulos soberanos costuma significar um ambiente um pouco mais previsível para ativos locais, como as ações.
Mercado doméstico ainda de lado – mas isso pode virar
O investidor local, por enquanto, não está exatamente ainda em clima de festa com a bolsa. E não chega a ser surpresa. Com a taxa de juros na casa dos 15% ao ano, a conta é simples: a renda fixa segue pagando bem, com risco baixo e previsibilidade alta. Em um cenário assim, faz sentido que boa parte do dinheiro continue estacionada em títulos públicos, CDBs e afins, em vez de correr para a bolsa.
Mas esse quadro pode mudar mais adiante. Há uma expectativa crescente de que o ciclo de juros comece a ceder nos próximos meses. O último boletim Focus aponta para uma Selic terminal perto de 12,25%. Se esse movimento se confirmar, a matemática do investidor muda junto: com retornos menores na renda fixa, a busca por alternativas mais rentáveis tende a ganhar força – e a renda variável costuma ser a primeira beneficiada.
Em outras palavras, o investidor estrangeiro já está puxando o bonde. O doméstico ainda observa da plataforma, mais confortável com o rendimento garantido. Quando os juros começarem a cair de verdade, porém, essa dinâmica pode se inverter e trazer mais fôlego para o rali do Ibovespa.
Fonte: Invest News













