Proposta de 5 pontos inclui cessar-fogo imediato e a reabertura do estreito de Ormuz para navios civis e comerciais
A China e o Paquistão apresentaram na 3ª feira (31.mar.2026) um plano de paz para encerrar a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. O acordo envolve 5 pontos principais e inclui um cessar-fogo imediato dos ataques de todos os lados e a garantia de passagem de embarcações civis e comerciais no estreito de Ormuz. A passagem marítima está quase 100% bloqueada pelo Irã desde o início da guerra em 28 de fevereiro e é a principal vantagem do país persa para pressionar os EUA e seus aliados.
O plano foi apresentado durante um encontro do ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, com o vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, em Pequim, na 3ª feira (31.mar). A proposta dos 2 países tem um peso diplomático relevante, pois o Paquistão tem atuado como um mediador entre os EUA e o Irã, enquanto a China tem tido um papel de destaque na coordenação de um cessar-fogo no conflito desde fevereiro.
Leia abaixo a íntegra dos 5 pontos da proposta apresentada:
- cessação imediata das hostilidades – “a China e o Paquistão apelam à cessação imediata das hostilidades e a envidarem todos os esforços para impedir a propagação do conflito. A assistência humanitária deve ser permitida em todas as áreas afetadas pela guerra”;
- início das negociações de paz o mais breve possível – “a soberania, a integridade territorial, a independência nacional e a segurança do Irã e dos Estados do Golfo devem ser salvaguardadas. O diálogo e a diplomacia são as únicas opções viáveis para a resolução de conflitos. A China e o Paquistão apoiam as partes envolvidas no início das negociações, com todas as partes comprometendo-se com a resolução pacífica das disputas e abstendo-se do uso ou da ameaça de uso da força durante as negociações de paz”;
- segurança de alvos não militares – “o princípio da proteção de civis em conflitos armados deve ser observado. A China e o Paquistão apelam às partes em conflito para que cessem imediatamente os ataques contra civis e alvos não militares, cumpram integralmente o Direito Internacional Humanitário e parem de atacar infraestruturas importantes, incluindo instalações de energia, dessalinização e geração de energia, e infraestruturas nucleares pacíficas, como usinas nucleares”;
- segurança das rotas marítimas – “o estreito de Ormuz, juntamente com as águas adjacentes, é uma importante rota marítima global para o transporte de mercadorias e energia. A China e o Paquistão apelam às partes para que protejam a segurança dos navios e tripulantes retidos no estreito de Ormuz, permitam a passagem rápida e segura de navios civis e comerciais e restabeleçam a normalização da passagem pelo estreito o mais breve possível”;
- primazia da Carta das Nações Unidas – “a China e o Paquistão apelam para que se façam esforços para a prática do verdadeiro multilateralismo, para o fortalecimento conjunto da primazia das Nações Unidas e para o apoio à conclusão de um acordo para o estabelecimento de um quadro de paz abrangente e a concretização de uma paz duradoura, com base nos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”.
A proposta ainda não foi respondida pelas partes envolvidas na guerra. Em paralelo ao plano chinês-paquistanês, os EUA afirmam que estão em contato com o Irã para um acordo definitivo para a guerra.
A negociação entre EUA e Irã ainda está envolta em especulações. Se por um lado o Irã nega esse contato direto, o presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), disse em entrevista a jornalistas na 2ª feira (30.mar) que o regime iraniano aceitou a maior parte de uma lista com 15 exigências apresentadas pelos norte-americanos para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Já na 3ª feira (31.mar), o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que os próximos dias serão decisivos para a guerra. Segundo ele, os EUA estão preparados para intensificar os ataques no Oriente Médio caso o Irã não aceite os termos norte-americanos para um acordo.
Fonte: Poder 360












