“Imediatamente, pensei: ‘se eu pudesse pegar carona nesse meme e entrevistar esses caras, isso é de novo um filme que tem a ver com os outros dois filmes’ [da trilogia]. Isso é uma sequência do que eu venho investigando, desse limite entre ficção e loucura e documentário”, acrescentou Ciocler.
O meme do “patriota do caminhão” se refere a um manifestante apoiador de Bolsonaro que se agarrou à parte dianteira de um caminhão para que ele não furasse um bloqueio rodoviário, mas acabou sendo carregado.
Aquele vidro que separava aqueles dois é a ‘fisicalidade’ da simbologia e da metáfora de um país que de fato não se ouve mais, que não consegue conversar, que acha que está entendendo, projeta no outro o que acha que o outro está tentando dizer, que conversa com o seu reflexo, porque aquele vidro era também um espelho.
Caco Ciocler
O diretor explicou que, no filme, optou por escalar o mesmo ator para viver os dois papéis. Segundo ele, a escolha reforça o “espelhamento” que atravessa a história e evita transformar a trama em um simples embate de ideias.
“É um filme que fala de espelhamento, é um filme onde a extrema-direita sequestrou o nosso vocabulário. A extrema-direita, hoje em dia, fala em liberdade de expressão e defesa da democracia, mas com insanidade. Se forem dois atores, eu vou transformar o filme num embate de ideias. E não é um filme sobre um embate de ideias”, disse o diretor.
Ciocler também afirmou que não fez um filme apenas para provocar o riso. Para ele, a polarização se alimenta de uma dinâmica em que cada grupo acredita estar na realidade e enxerga o outro como “maluquice”.
Fonte: UOL













