O lucro da BYD caiu mais do que o esperado no 4º trimestre de 2025, à medida que a competição intensa e regulações mais rígidas na China aumentaram a pressão sobre a maior fabricante de veículos elétricos do mundo.
O lucro líquido do período foi de 9,3 bilhões de yuans (US$ 1,3 bilhão), de acordo com o resultado anual divulgado na sexta-feira (27). Trata-se de uma queda de 38% em relação ao ano anterior e um valor abaixo da expectativa média de analistas, que era de 10,5 bilhões de yuans.
A receita caiu cerca de 14%, para 237,7 bilhões de yuans, reforçando preocupações de que os descontos agressivos e a estratégia de diversificação de produtos — que levou a empresa a ultrapassar a Tesla como maior vendedora global de EVs no ano passado — estão cobrando seu preço.
A trajetória da BYD rumo à liderança global começa a enfrentar um teste de realidade, com as vendas desacelerando em sua terra natal, a China.
Isso tem forçado a empresa a gastar mais para acompanhar modelos mais tecnológicos lançados por concorrentes como Xiaomi. As vendas caíram nos dois primeiros meses do ano e, após anos de liderança, a BYD perdeu o topo do mercado chinês para a Geely Automobile Holdings.
Esse cenário tem levado a empresa a olhar mais para o exterior, onde a demanda cresce e a margem por veículo é maior.
As exportações se mantiveram fortes em 2026, e a BYD planeja vender 1,3 milhão de carros fora da China no ano. Ainda assim, essa estratégia é cara, já que envolve investimentos em fábricas no exterior para contornar tarifas e barreiras comerciais.
A margem bruta caiu para 17,7% em 2025, o menor nível em três anos, ante 19,4% no ano anterior.
Para além da competição mais intensa, a BYD também enfrenta dificuldades criadas por ela mesma.
Consumidores chineses passaram a reclamar nas redes sociais do sistema “God’s Eye”, que promete direção quase autônoma. As falhas expõem limites da tecnologia e o risco de lançar sistemas avançados antes de estarem totalmente ajustados.
Em resposta, a BYD começa a mudar o foco: menos ênfase em recursos “inteligentes” e mais em autonomia e recarga. A empresa apresentou uma nova geração de baterias e um sistema de carregamento ultrarrápido, capaz de levar a carga de 10% a 70% em cinco minutos.
Mesmo com os desafios, as ações da empresa sobem, impulsionadas pela alta do petróleo após o conflito no Oriente Médio, o que tende a favorecer a demanda por veículos elétricos.
Fonte: Invest News













