A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã disparou o preço do petróleo e pegou a maior parte do mundo de surpresa. Para a revista The Economist, porém, o Brasil estava melhor preparado, amparado por uma das indústrias de biocombustíveis “mais sofisticadas do planeta”.
A reportagem cita o papel da Petrobras na absorção de custos, mas ressalta que a competitividade dos biocombustíveis foi essencial para reduzir os impactos negativos da guerra sobre a economia do país.
A publicação lembra que o Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo e o terceiro maior de biodiesel. A The Economist também destaca que cerca de três quartos dos veículos leves brasileiros são flex, ou seja, funcionam com álcool ou gasolina. “Isso reduz a dependência do Brasil em relação aos combustíveis fósseis estrangeiros e protege contra mercados inflamados”, diz o texto.
Embora o Brasil tenha registrado aumento no preço dos combustíveis desde o início da guerra, a revista aponta que a alta foi menor do que a observada em outros países. No Brasil, os preços subiram entre 10% e 20%, contra 30% a 40% nos Estados Unidos.
Ainda que em menor intensidade, o Brasil já sente os efeitos da alta global dos combustíveis. O avanço do diesel, por exemplo, chegou a alimentar a expectativa de uma eventual greve de caminhoneiros, hoje descartada. Como a maior parte do transporte de cargas no país é feita por caminhões, o aumento do diesel pode gerar um efeito dominó sobre os preços de outros produtos.
Biocombustíveis protegem o país
À The Economist, Evandro Gussi, da Unica, associação comercial do setor de etanol, afirmou que “esta não é a primeira vez que os biocombustíveis protegem o Brasil”. Ele destacou que, para reforçar a independência energética, o país investiu no desenvolvimento desse tipo de combustível, especialmente com a criação do Proálcool, após a crise do petróleo em 1973, e com o lançamento dos primeiros carros flex, em 2003.
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A revista britânica também aponta o presidente Lula como um entusiasta dos biocombustíveis. Segundo a publicação, ele vê o setor como uma forma de fortalecer a soberania do país — que ainda importa petróleo —, reduzir as emissões de gases poluentes e apoiar produtores rurais.
“Os biocombustíveis não conseguem eliminar os custos impostos pela alta dos preços do petróleo. Se o etanol ficar mais barato que a gasolina e os brasileiros começarem a consumi-lo mais, o preço do etanol poderá subir. Os altos preços do gás natural levam a altos preços dos fertilizantes, o que também pode prejudicar os biocombustíveis”, explicou Mário Campos, da Bioenergia Brasil, à The Economist. “Mas os produtores de biocombustíveis têm muito a ganhar com o caos no Oriente Médio”, completou.
Fonte: Info Money













