Brasil se torna o oitavo maior mercado de música em meio a expansão latina

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A indústria global da música voltou a crescer em 2025, atingindo US$ 31,7 bilhões (cerca de R$ 164,84 bilhões) em receita, alcançando uma alta de 6,4% e o 11º ano consecutivo de expansão, segundo relatório apresentado pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, na sigla em inglês) nesta quarta-feira (18).

Executivos das maiores gravadoras destacaram que o avanço reflete a combinação entre streaming pago, internacionalização do consumo e novos modelos tecnológicos.

O principal motor segue sendo o streaming por assinatura, que já soma 837 milhões de usuários no mundo.

Para Dennis Kooker, presidente de negócios digitais globais e dos EUA da Sony Music Entertainment, o crescimento está diretamente ligado à disposição do público em pagar por música. “Quando o consumidor abre a carteira, esse é o sinal mais forte de valor”, afirmou.

O relatório também aponta uma mudança no mapa global da música. A China tornou-se o quarto maior mercado do mundo, enquanto México entrou no top 10 e o Brasil ocupa agora a oitava posição. A América Latina, aliás, é a região que mais cresce, seguida da África Subsaariana e da união entre Oriente Médio e Norte da África.

Esse avanço acompanha uma transformação cultural, que mostra que a música deixou de ter fronteiras claras. Artistas que cantam fora do inglês ganham protagonismo global, como o porto-riquenho Bad Bunny, citado como símbolo dessa mudança após conquistas recentes em premiações internacionais. “A música não precisa de passaporte”, disse Victoria Oakley, CEO da IFPI.

O CEO e presidente da Universal Music México, Alfredo Delgadillo, disse que isso vem de uma tendência cada vez maior das gravadoras apoiarem a narrativa de um artista local e como essa ideia pode conversar com pessoas ao redor do mundo. Como consequência, novas estruturas locais de música ganham espaço.

Kooker usou também de exemplo a artista Rosalía, que no ano passado lançou seu disco “Lux”, um “disco cultural comovente”, segundo o presidente. Para ele, esse é mais um exemplo de como a parceria entre artistas e gravadoras vem se fortalecendo e abrindo portas para as visões de um cantor e entendendo quem é o seu público.

Outro vetor destacado na conferência foi a ascensão dos chamados “superfãs”, que passaram de consumidores passivos a agentes ativos de promoção. Segundo Samira Leitmannstetter, vice-presidente de marketing regional da Europa, Oriente Médio e África da Warner Music Group, comunidades digitais amplificam artistas globalmente e ajudam a transformar sucessos locais em fenômenos internacionais.

Ao mesmo tempo, formatos tradicionais voltam a ganhar espaço. A venda de mídia física cresceu novamente, puxada pelo vinil, que registra quase duas décadas consecutivas de alta. O movimento é atribuído à busca por experiências mais tangíveis e ao engajamento mais profundo dos fãs com os artistas.

A inteligência artificial apareceu como um dos temas centrais do encontro. Executivos destacaram o avanço de acordos entre gravadoras e empresas de tecnologia para uso licenciado de músicas em sistemas generativos. A aposta do setor é que a IA amplie formas de criação e conexão com o público, desde que respeite direitos autorais.

Por outro lado, cresce a preocupação com fraudes no streaming, prática em que conteúdos falsos geram reproduções artificiais para desviar receitas. Para Oakley, trata-se de “roubo, simples assim”. O desafio, segundo ela, será equilibrar inovação tecnológica com regulação e proteção aos artistas – ponto visto como decisivo para sustentar o crescimento nos próximos anos.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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