Botín mira economia com iniciativa digital do Santander após série de aquisições

MADRID, 24 Fev (Reuters) – A presidente-executiva do ⁠Santander, Ana Botín, vai prometer um banco mais enxuto, ⁠com maior redução de custos graças à digitalização, ao tentar convencer os ‌investidores nesta quarta-feira de que a aposta de expansão em mercados desenvolvidos estratégicos é o melhor caminho para o crescimento, disseram pessoas familiarizadas com os planos.

O ‌Santander fechou um acordo de US$ 12,2 bilhões no início deste mês para comprar o banco norte-americano Webster, reforçando a posição dos Estados Unidos como um de seus três principais mercados, juntamente com a Espanha e o Reino Unido.

A aquisição, que sucede um acordo para comprar o TSB britânico no ano passado, é um passo ⁠fundamental ‌para cumprir a promessa de longa data de Botín, de simplificar a estrutura ⁠do banco, disseram investidores e analistas à Reuters antes da atualização da estratégia de três anos, prevista para o encontro com investidores desta quarta-feira.

Viva do lucro de grandes empresas

Botín, que faz parte da quarta geração de sua família a chefiar o banco, também apresentará os planos da instituição para aumentar seu índice de rentabilidade para ​acima de 20% até 2028, partindo dos atuais 16,3%.

Durante décadas, a diversificação do Santander, abrangendo dez mercados principais, protegeu o banco das recessões econômicas em ​regiões específicas, mas o deixou vulnerável às desvalorizações cambiais, particularmente na América Latina.

Isso também conteve a valorização das ações do banco. No entanto, lucros recordes e maior crescimento em mercados como a Espanha ajudaram as ações a dispararem cerca de 80% no último ano. O Santander, agora avaliado em quase 160 bilhões ‌de euros, ultrapassou o UBS como o maior credor ​em valor de mercado na Europa continental.

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Ao contrário de outros bancos europeus que apostam em recompras de ações cada vez maiores, o Santander gastou mais de US$15 bilhões em aquisições desde meados ⁠de 2025 para impulsionar o ​crescimento e corrigir o ​baixo desempenho de partes do extenso banco.

‘Ela ainda tem um longo caminho a percorrer, mas… é um ⁠ponto de partida muito forte’, disse Filippo ​Alloatti, chefe da área financeira da Federated Hermes e investidor em títulos do Santander. ‘Eles vão se tornar um player sério, não apenas alguém flertando com os EUA.’

Apesar da recente valorização ​das ações, os investidores permanecem cautelosos. Os papéis do Santander são negociados a 1,56 vez o valor patrimonial, um indicador comum do ​valor que os investidores atribuem ⁠a um banco. Embora esse índice tenha melhorado e esteja acima da média dos bancos europeus, continua sendo ⁠inferior ao de alguns concorrentes.

Uma fonte familiarizada com a estratégia do Santander disse à Reuters que o dia do investidor se concentrará na redução de custos e no aumento da eficiência, classificando-o como um ‘trabalho inacabado’, visto que os custos são desfavoráveis em comparação com o rival espanhol BBVA.

Fonte: Info Money

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