Audiências abertas no caso de genocídio Rohingya da CIJ contra Mianmar

As audiências foram abertas em Haia, Holanda, em 12 de janeiro, no Tribunal Internacional de Justiça (CIJ), onde Mianmar foi acusado de violar a Convenção das Nações Unidas (ONU) de 1948 sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, ao visar deliberadamente a minoria Rohingya. “Estas audiências orais ocorrem num momento em que os princípios fundamentais do direito internacional, tal como consagrados na Carta das Nações Unidas, estão sob pressão e ameaça a nível mundial”, disse o Procurador-Geral da Gâmbia, Dawda Jallow. Numa altura em que alguns temem o fim do direito internacional, de Gaza a Kiev, passando por Caracas, a pequena nação da África Ocidental levantou-se perante os 14 juízes dos cinco continentes.

O caso remonta a 11 de novembro de 2019. Apoiada pelos 57 países da Organização de Cooperação Islâmica (OCI), a Gâmbia decidiu levar um caso ao mais alto tribunal da ONU contra Mianmar, acusando a junta de violar a Convenção do Genocídio. Na época, muitos acreditavam que os juízes rejeitariam o caso. O papel da CIJ é resolver disputas entre estados, e os dois países não estavam em conflito. Eles não tinham laços históricos, diplomáticos ou econômicos. No entanto, a Convenção sobre o Genocídio exige que todos os Estados previnam e punam o genocídio. O Tribunal concordou, portanto, em ouvir a petição da Gâmbia. Cabe aos estados “libertar verdadeiramente a humanidade do flagelo odioso que é o crime de genocídio”, argumentou Jallow na segunda-feira.

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Fonte: Le Monde

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