As raízes ucranianas esquecidas de Serge Gainsbourg

“Ah! As lindas, as boas lembranças da minha infância. Minhas primeiras lembranças aconteceram no porto de Mariupol, no Mar de Azov. Quando eu era pequeno – 6 anos – pude reconhecer o navio que surgiria ao longe no horizonte, rumo ao nosso porto (…). Os taxistas com suas carruagens puxadas por cavalos no cais muitas vezes me perguntavam:

‘Ei! Yossia! É a Maria ou é o Ivan Demiakin que está chegando?

‘É a Maria!’

Eu nunca errei (…). Eu conhecia todas as particularidades dos ‘meus’ navios, tendo-os visto tantas vezes atracar diante dos meus olhos. Morávamos no porto (meu pai era professor e os bons rublos do czar nunca enchiam nossos bolsos). Adorei aqueles cais de paralelepípedos, onde passei longos e lindos dias brincando, de frente para aquele mar do sul da Rússia.”

Estas linhas, escritas em 1970, abrem um caderno de couro sintético marrom que agora está escondido na delicada bagunça de uma gaveta perto da Porte Dauphine, no 16º bairro de Paris.o bairro. Sua capa traz o título Já é inverno (“Already, Winter Is Here”) – o inverno de uma vida. O autor, Joseph Ginsburg (pequeno Yossia), morreu um ano depois. Ele era o pai de Serge Gainsbourg e de sua irmã mais velha, Jacqueline, que está se aproximando dos 100 anos.o aniversário. Ela nos recebeu em sua casa e nos deixou ler cerca de 40 páginas, preenchidas com tinta preta e azul.

Através de fotografias desbotadas, revelam-se 25 anos da vida do homem que transmitiu a sua paixão pela música a Serge Gainsbourg – um quarto de século de viagens por cidades antes desconhecidas dos franceses, mas que agora ressoam de forma diferente nos seus ouvidos: Kharkov (Kharkiv), Mariupol, Lougansk (Luhansk), Ekaterinoslav (Dnipro)…

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Fonte: Le Monde

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