Arquipélago de 4.000 ilhas do Laos enfrenta expansão econômica da China

CARTA DO LAOS

É uma área rural desolada no sul do Laos, não muito longe das Cataratas Khone, as cataratas que bloqueiam o rio Mekong por várias dezenas de quilómetros, pouco antes da fronteira com o Camboja. Dois guindastes imóveis elevam-se sobre uma vasta rotunda de concreto cercada por andaimes. A estrutura, com 100 metros de diâmetro e três ou quatro andares de altura, parece demasiado avançada para ter sido abandonada, mas a ausência de trabalhadores – ou mesmo de guardas – e as imagens promocionais desbotadas nas vedações sinalizam que este projecto improvável foi paralisado.

Esta filmagem, na verdade, reflete a visão de uma cidade futurista abrangendo dois braços do Mekong: uma constelação de marinas, parques empresariais e locais recreativos, todos dominados por torres gêmeas em forma de khène, o tradicional órgão de boca do Laos. E a estrutura circular semiconstruída? Seria um dos dois futuros hotéis de 13 andares destinados a se assemelhar a uma cesta de arroz pegajoso.

Trata-se da ‘Zona Económica Especial de Siphandone’, uma área de 100 quilómetros quadrados cujo desenvolvimento foi confiado em 2018, durante 99 anos, a investidores chineses radicados em Hong Kong. O objetivo era transformar esta secção notável do Mekong, conhecida pelo seu arquipélago fluvial, as 4.000 ilhas (Si Phan Don no Laos), num “centro de turismo e indústria digital” alimentado por eletricidade barata proveniente de uma barragem construída pela gigante chinesa Synohydro num braço do rio, em funcionamento desde 2020.

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Fonte: Le Monde

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