(Imagem: REUTERS/Agustin Marcarian)
O presidente da Argentina, Javier Milei, sinalizou na segunda-feira (14) aos produtores rurais a retomada das famosas “retenciones” em julho, o imposto sobre importações do agronegócio.
A suspensão, que ocorria desde janeiro de 2025, foi implementada para antecipar a liquidação de dólares pelo setor, em meio a um período de valorização da moeda do país.
“Avisem ao campo que se for para vender, que o façam agora, porque elas (retenciones) voltam em julho”, disse Milei em entrevista para rádio do país.
As taxas, em vigor até 30 de junho de 2025, foram reduzidas em 27 de janeiro da seguinte forma:
- Soja: 33% para 26%
- Milho: 12% para 9,5%
- Trigo: 12% para 9,5%
Diego Cifarelli, presidente da Federação Argentina da Indústria Moageira (Faim), disse em entrevista ao La Nacion, é “uma pena que a Argentina vá pelo caminho da volta das retenciones, indo contra o “caminho lógico para recuperar o vigor que o país deveria ter e soube ter”.
Já Fernando Storni, presidente da Câmara Argentina de Feedlot, que representa o setor de confinamento bovino do país, se mostrou esperançoso de que o governo não volte atrás no caminho da redução.
No ano passado, como você viu aqui no Money Times, Milei disse que estava “ansioso para sair deste modelo desastroso onde o Estado, entre retenções e estoques, expropria 70% do que produz no campo”. Apesar disso, ele reforçou que retirar o que chamou naquela época de “remendos” agravaria a crise herdada pelo seu governo.
Os reflexos para o Brasil com o fim das retenciones
De acordo com Raphael Bulascoschi, analista da StoneX, as retenciones encarecem a soja e o milho no mercado internacional, assim como seus derivados, o que tende a favorecer outros exportadores, como é o caso do Brasil.
“Porém, a partir de julho, já existe um cenário de exportações mais lentas por parte do Brasil para soja, com o pico dos embarques agora em abril. Então, essa questão pode favorecer o Brasil, mas há essa ressalva”.
Bulascoschi aponta que a decisão também aconteceu em meio ao fim dos controles cambiais da Argentina, o que fez com que o peso despencasse nesta semana, o que tende a favorecer a comercialização dos bens exportáveis do país, como grãos.
“O anúncio da volta das retenciones e um câmbio mais desvalorizado pode fazer com que a Argentina um impulso exportador um pouco mais forte no curto prazo, antes de julho, aproveitando esse câmbio e os menores impostos”.













