Nas últimas semanas, os agricultores europeus realizaram uma série de ações – algumas em grande parte simbólicas – para protestar contra o acordo de comércio livre entre a União Europeia e os países do Mercosul. O acordo, aprovado pela Europa em 9 de janeiro e previsto para ser assinado no Paraguai no sábado, 17 de janeiro, ameaça abalar a agricultura europeia, já enfraquecida em muitos países membros por sucessivas crises nos últimos anos.
As vulnerabilidades da França como principal potência agrícola da Europa
As preocupações dos agricultores podem levar as pessoas a esquecer que a França continua a ser a principal potência agrícola da Europa. Esta posição foi confirmada em 2024, segundo dados publicados pelo Ministério da Agricultura francês. Embora nesse ano, devido às más colheitas de cereais e uvas – ambas atingidas por condições meteorológicas desfavoráveis – o valor da produção agrícola francesa tenha diminuído para 77,1 mil milhões de euros, um valor que não inclui subsídios da Política Agrícola Comum (PAC) da UE. Como resultado, a percentagem da produção agrícola francesa entre os 27 Estados-Membros da UE caiu ligeiramente para 16,2%, abaixo dos 18% em 2023. Dadas as colheitas mais abundantes no verão passado, espera-se que este valor recupere para 92,4 mil milhões de euros em 2025.
A França está no topo do ranking agrícola europeu graças às suas indústrias de cereais, vinho, açúcar e carne bovina, bem como à sua produção de ostras. Ocupa o segundo lugar no setor de laticínios, incluindo leite, queijo e manteiga. No entanto, em termos de número de explorações agrícolas, a França ocupa apenas o sexto lugar, com menos de 350.000 explorações agrícolas. Entre 2020 e 2023, segundo o último censo, 40 mil explorações desapareceram do mapa.
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Fonte: Le Monde












