No final de outubro, tudo o que restou da tempestade que varreu o campus da Universidade de Roskilde (RUC), localizada a cerca de 30 quilómetros a oeste de Copenhaga, foram alguns cartazes nas paredes. Em letras pretas sobre fundo vermelho, eles imploravam: “Estudantes de Bangladesh, por favor, não nos deixem sozinhos com os dinamarqueses”, “Vocês são bem-vindos aqui”. Essa mensagem de apoio deixou Akter (ele não informou o sobrenome), um estudante de mestrado em desenvolvimento e estudos internacionais de 26 anos, impassível. “Para mim, a Dinamarca era um país de igualdade, justiça e imparcialidade, mas esse já não é o caso”, disse ele amargamente.
Tal como Akter, pouco mais de 1.000 estudantes do Bangladesh que se tinham matriculado em universidades dinamarquesas viram-se envolvidos numa grande controvérsia no início do outono, com a RUC no centro. Alimentado pela extrema direita e pelos social-democratas no poder, o debate levou à demissão do presidente do conselho da universidade e ao encerramento de um programa de mestrado, enquanto outras instituições anunciaram alterações nas suas regras de admissão para estudantes estrangeiros.
Para contextualizar: a líder social-democrata Mette Frederiksen lidera o governo desde 2019 e foi reeleita em 2022 depois de fazer campanha sobre uma política de imigração ultra-restritiva, estreitamente alinhada com a agenda do Partido Popular Dinamarquês (DF), de extrema-direita, que ruiu nas sondagens, obtendo apenas 2,6% dos votos.
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Fonte: Le Monde













