CARTA DE BUCARESTE
Pintada por Henri Matisse, icónica em Brigitte Bardot e Jane Birkin e posteriormente elevada por Yves Saint Laurent, a blusa romena – originalmente usada pelas camponesas locais – tornou-se uma obra de arte em França. Na Roménia, foi transmitido de geração em geração, cuidadosamente guardado e dobrado num canto do guarda-roupa. As máquinas de lavar têm até um ciclo especial para o “ie” – pronunciado “ee-eh”, do latim linhaque significa “fio de linho”. Em 2022, a UNESCO adicionou “a arte da blusa tradicional com bordado no ombro – um elemento de identidade cultural na Roménia e na Moldávia” à lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade.
No entanto, nos últimos anos, usá-lo com orgulho tornou-se problemático para alguns romenos. Enquanto na vizinha Ucrânia, a blusa tradicional, o vishyvankatornou-se um símbolo cultural emblemático para distinguir os ucranianos dos seus agressores russos, o equivalente romeno está agora associado à extrema direita. Este movimento político, que é apoiado por 40% dos eleitores, segundo as últimas sondagens, transformou-o num símbolo da política nacionalista e identitária. A extravagante deputada de extrema direita do Parlamento Europeu, Diana Sosoaca, usa-o em quase todas as aparições públicas.
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Fonte: Le Monde













