A reunião estava marcada para a madrugada. Asma Ibrahim e o seu marido, Ammar el-Tijani, planearam encontrar-se perto dos portões do último hospital em funcionamento em el-Fasher. Ele havia sido internado lá 10 dias antes, após ser ferido na perna por um atirador de elite. Como ele não conseguia mais andar, eles fugiam em uma carroça puxada por um burro.
Antes das orações da madrugada de domingo, 26 de outubro, o casal e os seus três filhos planearam aproveitar a escuridão para escapar de el-Fasher, a capital do Norte de Darfur, que está sitiada há mais de 550 dias pelas forças paramilitares de Apoio Rápido (RSF). “Vamos conseguir, se Deus quiser”, disse el-Tijani durante o último telefonema do dia anterior.
“Nunca mais ouvi a voz dele”, sussurrou Ibrahim. Na hora marcada naquele domingo, o controle da RSF sobre a cidade aumentou. Depois de mais de um ano e meio de cerco, os paramilitares tomaram o último reduto do exército regular nesta região do oeste do Sudão e derrotaram os últimos focos de resistência na cidade.
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Fonte: Le Monde













