A retenção de corpos palestinos por Israel: uma ‘tomada de reféns’ silenciosa

Os três filhos de Abdul Rahman Mari, de 6, 9 e 11 anos, estavam sentados calmamente no sofá da família com a avó, Aziza, 62 anos, na pequena cidade de Qarawat Bani Hassan, no norte da Cisjordânia. Em silêncio, ouviram-na contar a história do seu pai, que morreu em novembro de 2023, aos 34 anos, numa prisão israelita, após sete meses de prisão preventiva. Ele foi acusado de atirar contra colonos com um rifle de caça, acusação que negou. Dois detidos descreveram os momentos finais do artesão – tanto à família como à organização israelita de direitos humanos B’Tselem, dizendo que provavelmente foi espancado até à morte pelos seus carcereiros na cela vizinha.

A família de Rahman Mari não teve permissão para realizar um funeral. Ele nunca foi enterrado. Nos últimos 26 meses, as autoridades israelitas retiveram o seu corpo, alegando razões de “segurança”. “As crianças perguntam onde está o pai, perguntam onde está o corpo”, engasgou a avó. “Não temos coragem de pedir por ele novamente porque temos medo do exército ocupante”, continuou ela.

O caso de Rahman Mari não é único. Reflete um dos aspectos mais sórdidos do conflito israelo-palestiniano, onde os corpos dos falecidos – raptados ou detidos pelo Hamas, por um lado, ou por Israel, por outro – são usados ​​para punir e atormentar o lado oposto, e depois como moeda de troca nas negociações. O Hamas, por exemplo, raptou mais de 30 corpos de israelitas mortos em 7 de outubro de 2023, entre as 1.200 vítimas do ataque terrorista, e levou-os para Gaza.

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Fonte: Le Monde

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