TEMEnquanto o povo iraniano enfrenta um massacre que está agora a ser documentado, a Europa não deve continuar a ser uma espectadora. Numa altura em que as estratégias de caos ameaçam a estabilidade global, é essencial uma posição europeia colectiva – clara e resoluta. Defender os iranianos hoje é defender os nossos próprios valores democráticos, a dignidade humana e a universalidade dos direitos fundamentais.
Face à escalada da violência, é urgentemente necessária uma mobilização das consciências democráticas – tanto dos cidadãos como das organizações – para defender o direito dos iranianos de viverem livremente num Estado democrático.
Durante várias semanas, os iranianos enfrentaram violência estatal numa escala inegável. As informações recebidas, corroboradas por inúmeras fontes, confirmaram o uso sistemático de armas de fogo contra civis, multidões desarmadas, estudantes, mulheres e adolescentes. Os tiroteios já não são apenas uma ameaça – são uma realidade. O número de mortos está na casa dos milhares. O que está a acontecer hoje no Irão já não é uma repressão esporádica, mas sim um massacre.
Dignidade e coragem notáveis
Dada esta situação, as condenações simbólicas ou as declarações de princípio já não são suficientes. Durante anos, o povo iraniano demonstrou notável dignidade e coragem. Continuaram a resistir, à custa das suas vidas, a um regime islâmico que governa através do terror, ao mesmo tempo que tenta disfarçar-se nas armadilhas da respeitabilidade internacional. Esta luta é universal. Trata-se do futuro das liberdades públicas, da própria ideia de emancipação e da capacidade das democracias se defenderem quando postas à prova.
O Irão ocupa um lugar decisivo no equilíbrio global. Encruzilhada histórica entre o Oriente e o Ocidente, um espaço de circulação de conhecimentos, artes e ideias, encontra-se agora num ponto de viragem. Ao permitir que este derramamento de sangue continue, a comunidade internacional está a enviar um sinal perigoso de tolerância tácita a um povo que está a ser esmagado pelo seu próprio governo. O regime iraniano utiliza o soft power cultural, académico e diplomático para mascarar a violência extrema que perpetra. Esta estratégia já não pode ser aceite.
Você ainda tem 53,53% deste artigo para ler. O resto é apenas para assinantes.
Fonte: Le Monde











