Desde o início da guerra na Ucrânia, em Fevereiro de 2022, o sector energético russo foi amplamente alvo de 19 rondas de sanções europeias. Carvão, petróleo e gás foram todos afetados. Contudo, a indústria nuclear foi completamente poupada e continua a ser a excepção.
Em Bruxelas, as discussões sobre potenciais sanções, inicialmente previstas para junho de 2025, foram adiadas. Numa altura em que a França é descrita como um dos principais países que se opõem à proibição total das entregas nucleares russas, um relatório publicado na quarta-feira, 28 de Janeiro, pela ONG antinuclear Greenpeace sublinhou mais uma vez que o comércio de urânio, o combustível para centrais nucleares, continua entre Paris e Moscovo, envolto em opacidade.
As ligações entre a França e a Rússia nesta questão foram amplamente documentadas nos últimos anos. Os navios provenientes de São Petersburgo ou de Ust-Luga, na costa russa do Báltico, continuam a atracar regularmente no porto de Dunquerque, no norte de França, transportando contentores cheios de urânio sob diversas formas. Embora a França não importe urânio natural extraído na própria Rússia, os últimos dados aduaneiros analisados pela Greenpeace mostraram que entre 2022 e Setembro de 2025, quase metade destas importações de matérias-primas vieram do Cazaquistão e do Uzbequistão, duas antigas repúblicas soviéticas.
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Fonte: Le Monde













