Eram 4 horas da manhã do dia 24 de fevereiro de 2022, em Odessa, no sul da Ucrânia. Kateryna Shykula, 30 anos, tinha acabado de amamentar seu bebê de três meses, Artem, e estava prestes a voltar a dormir quando ocorreu uma explosão. A jovem ucraniana pensou que um edifício próximo tivesse desabado, quando uma segunda explosão quebrou o silêncio. Kateryna enrijece. Um terceiro veio quase imediatamente. Em pânico, a mãe se levantou e checou o telefone. A notícia já estava por toda parte: a Rússia acabava de invadir a Ucrânia.
Kateryna morava na época em um apartamento com o marido, Oleksandr Shykula, 33 anos, no oitavo andar de um prédio novo e bem iluminado, decorado com grandes espelhos. Sirenes de ataque aéreo soaram no céu. A jovem foi se abrigar no corredor com o filho. A família ficou lá por dias para se proteger dos bombardeios. Mas todos aqueles espelhos a preocupavam. E se o prédio fosse atingido? Preso às notícias, Oleksandr andava de um lado para o outro no apartamento. O bebê não dormiu a noite toda. A tensão rapidamente se tornou insuportável. Então, quando uma amiga que havia se estabelecido na Alemanha se ofereceu para hospedá-la, Kateryna não hesitou por muito tempo. Ela ligou para a mãe, Iryna Kostina: “Quer vir conosco?” “Sim, claro”, respondeu a mãe. Eles compraram os ingressos.
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Fonte: Le Monde













