Léo Bernard esperou anos por esse dia. Foi aqui, neste hotel de tijolos vermelhos no centro de Colônia, na Alemanha, que a busca de uma vida chegaria ao fim. No dia 11 de março de 2023, o octogenário francês estava finalmente prestes a conhecer, pela primeira vez, alguém ligado à história da sua família na Alemanha – a peça que faltava de uma história há muito desconhecida. Para a ocasião, o ex-mecânico usou uma jaqueta de tweed. Ele estava um pouco nervoso. Até aquele momento, ele e o primo por casamento haviam apenas trocado cartas. Quando Ursula Van Broek-Schröder entrou no lobby do hotel, abriu bem os braços, como se o convidasse para um abraço. “Oitenta anos depois! Reconheço você pela foto”, exclamou Bernard. Os dois primos se abraçaram como se se conhecessem há anos. “Eu sou o resto da nossa família”, disse ela com um sorriso. Van Broek-Schröder é sobrinha da primeira esposa de seu pai, um soldado alemão.
Bernard é uma das muitas crianças nascidas de uniões entre mulheres francesas e soldados alemães entre 1941 e 1945. Muitas vezes chamados de “filhos das sombras” ou, pior, “filhos da vergonha”, o seu número em França é estimado em cerca de 200.000. Durante muito tempo, a sua história foi um tabu, não só em toda a sociedade francesa, mas também para cada família. Para muitos, estas crianças eram uma lembrança viva da colaboração da França com os nazis e uma fonte de desconforto que era melhor varrer para debaixo do tapete.
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Fonte: Le Monde













