Fouro Google-Alphabet, US$ 125 bilhões; para a Apple, US$ 112 bilhões; para a Microsoft, US$ 105 bilhões; para a Nvidia, US$ 100 bilhões; para a Amazon, US$ 76 bilhões; para Meta, US$ 58 bilhões; e para a Tesla, apenas US$ 5 bilhões. O total: 580 mil milhões de dólares (499 mil milhões de euros), não em receitas, nem em margem operacional, mas em lucro líquido após impostos dos últimos 12 meses. Os Sete Magníficos, esses gigantes da tecnologia americanos, negociam centenas de bilhões e parecem invencíveis. Para efeito de comparação, o LVMH, o conglomerado de luxo francês, registou lucros anuais de cerca de 13 mil milhões de dólares, e a querida tecnológica francesa Mistral AI celebrou a angariação de 1,7 mil milhões de euros no outono passado.
O setor de tecnologia não está sozinho. A América corporativa está a esmagar o planeta com os seus lucros. Os lucros aumentaram de 2,5 biliões de dólares em 2019, pouco antes da pandemia de Covid-19, para 4 biliões de dólares em 2024 antes de impostos, de acordo com um estudo do Federal Reserve Bank de St. Em percentagem do rendimento nacional, a taxa de lucro aumentou de 13,6% para 16,2% entre o final de 2019 e o final de 2024. Este número é ainda mais impressionante tendo em conta que os lucros estrangeiros diminuíram (de 2,8% para 2,1%) e os lucros do sector financeiro estagnaram (2,9%).
As empresas industriais e comerciais geraram estes lucros nos Estados Unidos, enquanto a participação dos salários no produto interno bruto estagnou em 61,6%. “O recente aumento dos lucros empresariais foi inteiramente impulsionado pela economia real”, escreveu Ricardo Marto, economista da Fed. Esta tendência é explicada pela descida das taxas de juro, pela queda da taxa de imposto sobre as sociedades (de 35% para 21%) em 2017 durante o primeiro mandato de Donald Trump e, sobretudo, pela falta de concorrência num país onde o oligopólio reina supremo.
Já se foi o tempo em que os estudantes europeus iam a Nova Iorque para comprar roupas e computadores baratos e viajavam pelos EUA em voos acessíveis, hospedando-se em motéis baratos. Como o economista da Universidade de Nova York, Thomas Philippon, demonstrou já em 2019 em seu livro A grande reversão: como a América desistiu do mercado livreOs americanos abandonaram a livre concorrência. A personificação dessa mudança é o bilionário Warren Buffett, um falso sábio e um verdadeiro rentista, que investe apenas em empresas que dominam os seus mercados e podem impor margens exorbitantes, seja ela a American Express, a Coca-Cola, o transporte ferroviário de mercadorias ou a Apple.
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Fonte: Le Monde












