Luizão Donatrampi e as chances de vencer as eleições sem ser testado nas pesquisas

 

Com seu jeitão descontraído e estravagante e, mesmo sem aparecer como alternativa nas pesquisas, Luizão tem seu nome lembrado nas redes sociais de forma significativa

Por TONI ALCÂNTARA

 A corrida pelo Senado Federal em Sergipe, com duas vagas em disputa em 2026, promete ser uma das mais competitivas da história recente. Em meio a nomes tradicionais e fortes articuladores, o deputado estadual Luizão Donatrampi, ainda no União Brasil, figura proeminente da direita sergipana, emerge como um candidato de alto risco e alto potencial.

Avaliar suas chances exige ir além da superfície, analisando sua base ideológica, o complexo tabuleiro de alianças e, crucialmente, o impacto de sua omissão sistemática nas pesquisas eleitorais.

Luizão Donatrampi construiu seu capital político a partir de uma plataforma ideológica clara: o conservadorismo e o apoio irrestrito ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Sua eleição em 2022 para a Assembleia Legislativa não foi apenas uma vitória, mas a consolidação de um nicho que busca representação fora do establishment político local.

Seu principal ponto forte é a lealdade inabalável de sua base. Em Sergipe, onde a direita tem demonstrado força (especialmente no pleito presidencial de 2022), Donatrampi é visto como o nome mais autêntico dessa vertente, com capacidade de mobilização nas redes sociais e nas ruas. Ele não precisa convencer esse eleitorado de quem ele é; ele precisa apenas levá-lo às urnas.

O desafio, contudo, reside na expansão. O Senado exige um alcance que vá além do voto ideológico. Para garantir uma das duas vagas, ele precisará conquistar o eleitor de centro insatisfeito, o eleitor antipetista moderado e os segmentos que buscam alternância, mas que não se alinham à direita mais radical.

Um dos aspectos mais intrigantes e estratégicos na avaliação de Donatrampi é a sua ausência persistente nas pesquisas estimuladas divulgadas para o pleito de 2026. Enquanto outros nomes de sua ala são testados, ele é preterido, uma manobra que carrega grande peso político.

No meio político, essa omissão não é vista como um acaso, mas como uma tática para negar visibilidade e dificultar sua ascensão. Ao não figurar em cenários, ele perde o “selo de viabilidade” que pesquisas conferem, dificultando a atração de potenciais doadores, tempo de TV e aliados.

Entretanto, esse fator pode ser uma espada de dois gumes. O eleitorado que o apoia, muitas vezes cético em relação à grande mídia e aos institutos de pesquisa, pode ter seu sentimento de “perseguição” reforçado. Essa omissão, na narrativa de campanha, pode se transformar em um ativo, motivando sua base a votar em Donatrampi como um ato de resistência contra o sistema.

Em essência, a ausência de números faz dele um fator de surpresa. Sua força real será conhecida apenas no dia do pleito, caso ele consiga capitalizar o voto invisível e superar as projeções baseadas nos nomes que foram testados.

Apesar do forte capital ideológico, a viabilidade de uma candidatura majoritária depende intrinsecamente do tabuleiro de alianças.

Para isso, Donatrampi precisa ser o nome principal em uma chapa majoritária coesa de oposição ao atual governo (PSD). O desafio aqui é evitar a pulverização do campo da direita. Nomes como o deputado federal Rodrigo Valadares (União/PL) também disputam espaço. A consolidação de uma “dobradinha” de direita ou a garantia de Donatrampi como o cabeça de chapa para o Senado é o fator que aumentará dramaticamente suas chances.

A lembrança do recuo estratégico em 2022 (quando era pré-candidato ao Senado, mas disputou e venceu para deputado estadual) impõe uma pressão sobre o deputado: ele precisa demonstrar que seu projeto para 2026 é irreversível para conquistar a confiança de grandes articuladores e do eleitorado.

Luizão Donatrampi tem o potencial disruptivo de um candidato que se beneficia da insatisfação e da forte polarização ideológica. Ele entra na disputa com um patamar de votos garantidos que o coloca, teoricamente, em posição de competitividade.

Sua chance de vitória depende de uma equação simples, mas difícil de executar: Se ele conseguir unificar o eleitorado de direita e garantir uma chapa coesa, ele terá chances reais de conquistar uma das vagas para o Senado, provando que é possível vencer uma eleição majoritária sem a validação antecipada das pesquisas.

Compartilhe este artigo